São Paulo – No mês de junho as nove carteiras de dividendos divulgadas a EXAME.com tiveram desempenho negativo, ainda que a maioria tenha superado a performance do Ibovespa, que fechou o mês com queda de 11,3%. Para julho, as corretoras não esperam resultados muito diferentes e buscam recomendar ações que conseguem se distanciar dos efeitos da crise, como de empresas do setor de utilidade pública, que não costumam sofrer alterações em sua demanda, mesmo em momentos de fraco desempenho da economia. 

Pelo segundo mês seguido, as ações da Telefônica/Vivo lideraram as recomendações, marcando presença em seis das nove carteiras. A empresa é bem vista entre as corretoras por ser líder de mercado no segmento de telefonia móvel e possuir um baixo nível de endividamento, o que lhe confere um caráter defensivo e permite a distribuição de altos dividendos. 

A Tractebel, maior geradora privada de energia, foi a segunda ação mais recomendada, presente em cinco carteiras. Os analistas ressaltaram que a companhia tem baixa exposição cambial, alta previsibilidade de resultados e um bom desempenho operacional, além de já possuir muitos contratos de geração de energia firmados e um portfólio de clientes diversificado. 

Outro destaque entre as recomendações foi a Alupar, holding com atuação nos segmentos de transmissão e geração de energia, que foi incluída em três carteiras neste mês. Conforme a XP Investimentos destaca, a empresa é sugerida, entre outras razões, por não concentrar sua atuação em uma região específica e por possuir contratos de concessão de longo prazo, com vencimentos entre os anos de 2030 e 2042.

Definição

As ações boas pagadoras de dividendos (lucros das companhias que são repassados aos acionistas) geralmente são de empresas líderes de mercado ou que atuam em segmentos com demanda estável. Por essas características, são ações defensivas, que não sofrem como aquelas mais influenciadas pelo cenário macroeconômico. Além disso, são empresas com baixa necessidade de reinvestimento, o que garante uma maior capacidade de repassar lucros aos acionistas.

Essas companhias costumam se concentrar em setores de utilidade pública, como saneamento e energia (cuja demanda não se modifica diante de crises) e telefonia, assim como nos setores financeiro e de consumo inelástico, como fabricantes de bebidas alcoólicas e cigarros.

Veja a seguir as carteiras de dividendos recomendadas para julho, ou clique em uma das corretoras e vá direto à página da carteira buscada.

Ágora/Bradesco
Ativa

Citi Corretora
Omar Camargo

Planner
Rico/Octo Investimentos

Santander Investimentos
Um Investimentos

XP Investimentos

Ágora Corretora / Bradesco

Em junho, a carteira de dividendos da Ágora/Bradesco teve queda de 5,90% e no acumulado do ano apresenta recuo de 3,0%.

Papéis incluídos: BB Seguridade. Papéis retirados: BM&FBovespa.

A expectativa de retorno médio via dividendos da carteira defensiva da Ágora para 2013 é de 6,40%. Em junho, os destaques de alta da carteira foram as ações da Cielo e da Ambev, que subiram 1,92% e 1,82%, respectivamente. A Contax foi a maior queda da carteira (-19,7%). Segundo a corretora, a conversão de suas ações preferenciais e ordinárias em units trouxe volatilidade aos papéis, mas os analistas continuam acreditando no potencial de valorização da ação em função dos bons fundamentos da empresa, que é líder no mercado de call center.

As ações do BB Seguridade entraram na carteira porque os analistas consideram que os produtos comercializados pela empresa, como os títulos de capitalização, planos de previdência e seguro de vida possuem um potencial de crescimento e de elevação de margens acima da média do mercado. Eles acreditam que os balanços trimestrais e os dados mensais de órgãos reguladores são os principais direcionadores da ação no curto e no médio prazo e os principais riscos podem vir de eventuais conflitos de interesse do governo, controlador do Banco do Brasil.

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/2013)
Ambev AMBV4 R$ 96,40 4,00%
BB Seguridade BBSE3 R$ 22,40 5,10%
Cielo CIEL3 R$ 57,20 4,40%
Contax CTAX11 R$ 31,00 9,40%
Telefônica (Vivo) VIVT4 R$ 57,00 8,50%

Ativa

A carteira defensiva da Ativa teve desvalorização de 6,61% em junho. No ano, a carteira acumula queda de 1,81%.

Não houve alterações na carteira. A corretora não fez comentários específicos sobre as ações sugeridas, mas sobre o mercado no geral.

Segundo os analistas, mesmo diante de uma série de fatores negativos que afetam a bolsa brasileira, "a reação dos investidores parece exagerada e o mês de julho é forte candidato a um ponto de inflexão do Ibovespa, proporcionando um bom ponto de entrada, através de uma estratégia consciente e focada em ganhos de longo prazo".

A corretora ressalta que a bolsa está longe de seu preço justo, e que isso pode ser constatado com o recente movimento de anúncios de programas de recompra de ações, que poderá se alastrar durante o mês. Por isso, prosseguem os analistas, mesmo que a situação global tenda a se agravar, pode ser que a reação dos investidores seja mais amena, já que os riscos são iminentes, mas as oportunidades de investimento tendem a aparecer "em tempos de mazela para olhos bem atentos". 

Ação Código Preço-alvo Yield estimado (dez/2013)
Ambev AMBV4 ND ND
Bradesco BBDC4 ND ND
Equatorial EQTL3 ND ND
Telefônica (Vivo) VIVT4 ND ND
Tractebel  TBLE3  ND ND

Citi Corretora

A carteira Top Picks Dividendos registrou queda de 10% em junho e de 8% no acumulado do ano. 

Não foram feitas alterações na carteira para julho.

Segundo o relatório, a Ambev tem importantes iniciativas para o crescimento do volume de vendas e redução de custos, além de ter forte geração de caixa e distribuição regular de dividendos, fatores que conferem resiliência à ação em condições extremas de mercado. A Tractebel apresenta geração de caixa saudável no médio prazo, balanço sólido e mostra sinais de avanços sobre questões de governança corporativa nas transferências de ativos do controlador (GDF Suez). A Ultrapar apresentou resultados recentes que superaram as projeções dos analistas e do mercado. E o risco de mudança nas margens das distribuidoras, que pode prejudicar a empresa, foi precificado de uma forma que a corretora considera exagerada.

A Telefônica tem dividend yield elevado, além de um fluxo de caixa forte e estável, resultante da exposição ao segmento de telefonia fixa e também dos indicadores operacionais fortes, particularmente no mercado de telefonia móvel, no qual a empresa é líder de mercado. E a CCR passa por um momento favorável, com alguns projetos novos ganhando tração. Além disso, segundo a corretora, a companhia tem excelentes perspectivas de crescimento, considerando o amplo portfólio de projetos de infraestrutura que vai a leilão nos próximos anos.

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/2013)
Ambev AMBV4 R$ 98,10 3,10%
CCR CCRO3 R$ 20,00 2,40%
Telefônica (Vivo) VIVT4 R$ 56,84* 7,80%
Tractebel TBLE3 R$ 34,20 7,30%
Ultrapar UGPA3 R$ 54,50 2,70%

(*) O preço-alvo e o dividend yield são do consenso Bloomberg. A cobertura do Citi foi descontinuada em março de 2013.

Omar Camargo

Em junho, a carteira de dividendos da Omar Camargo teve dividend yield de 0,46% e desvalorização de 8,33%, já com ajuste de proventos para os acionistas. No ano, o dividend yield é de 4,84% e a desvalorização é de 6,51% já com ajuste de proventos para os acionistas.

As ações do Paraná Banco e do Banco do Brasil distribuíram proventos e os dividend yields foram de 1,11% e 1,21%, respectivamente. 

Não houve alterações na carteira de julho e a corretora não fez comentários específicos sobre a manutenção da carteira. Sobre o cenário macroeconômico, os analistas destacaram que as preocupações com a China, com indicadores domésticos e com a possível redução da compra de títulos pelo banco central norte-americano (FED) contribuíram para a queda do Ibovespa.

Eles também destacaram que alguns efeitos das manifestações já foram sentidos na bolsa, sobretudo pelas ações de concessionárias de serviços públicos na área de saneamento e energia. Esses papéis sofreram com os anúncios de suspensão de reajustes em São Paulo e no Paraná - apesar de em São Paulo o governo prever contrapartidas que, segundo a corretora, devem evitar que o lucro das empresas seja afetado. Como resultado, essas empresas prejudicaram a percepção de risco do país, o que pode afetar o interesse nos leilões de aeroportos, ferrovias e rodovias previstos para os próximos meses. 

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/13)
AES Tietê GETI4 ND ND
Banco do Brasil BBAS3 ND ND
Paraná Banco PRBC4 ND ND
Telefônica (Vivo) VIVT4 ND ND
Tractebel TBLE3 ND ND

Planner

A carteira de dividendos da Planner teve queda de 11,48% em junho e acumula ganho de 1,72% no ano.

Papéis incluídos: AES Tietê, Cosan, Eternit e Tractebel. Papéis retirados: CCR Rodovias, Copasa, Light e Souza Cruz.

A despeito da volatilidade do setor de energia, a AES Tietê é recomendada, segundo a corretora, porque a empresa é forte geradora de caixa, tem alavancagem reduzida, disciplina nos investimentos e energia totalmente contratada com a Eletropaulo até dezembro de 2015, além de destinar 100% dos seus resultados na forma de dividendos, em base trimestral.

Sobre a Cosan, os analistas comentam que no exercício de 2012, terminado em março de 2013, a receita líquida da empresa cresceu 28%, passando para 30 bilhões de reais, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) cresceu 48%, subindo para 3,1 bilhões de reais e o lucro líquido ajustado somou 638 milhões de reais (+51%). Com base nesse resultado, a corretora estima que a empresa pague Juros sobre o Capital Próprio de 60 centavos por ação, ou o equivalente a um yield líquido de 1,2%.

A Eternit entra na carteira porque os analistas não veem riscos no curto prazo em relação à questão do amianto e porque consideram que a empresa deve continuar a apresentar resultados consistentes. E a Tractebel foi incluída entre as sugestões por possuir muitos contratos firmados e um portfólio balanceado de clientes, além de ter um perfil defensivo com fluxo de caixa previsível, bom desempenho operacional, baixa exposição cambial e retornos consistentes. Segundo os analistas, o próximo dividendo da Tractebel deve ser proposto em agosto de 2013 no valor estimado de 1 real por ação, correspondente a um yield de 2,9%.

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/13)
AES Tietê  GETI4 R$ 25,55 2,45%
Cosan CSAN3 R$ 52,10 2,00%
Duratex DTEX3 R$ 16,00 2,00%
Eternit ETER3 R$ 12,00 4,20%
Tractebel TBLE3 R$ 41,00 5,60%

Rico/Octo Investimentos

Em junho, a Carteira Dividendos 8+ do Rico, home broker da Octo Investimentos, recuou 6,52%. E em 2013, a queda é de 6,01%.

Papéis incluídos: Mahle Metal Leve e Alupar. Papéis retirados: BR Properties e Telefônica Vivo. 

Os analistas do Rico comentam que em junho a carteira foi mais uma vez recompensada por não se concentrar em ativos do setor de energia elétrica, sobretudo em empresas que estão em processo de renovação de concessões junto ao governo federal. Segundo eles, grande parte dos ativos do setor sofreu forte queda em junho, especialmente a Copel, em virtude da suspensão do reajuste de 14% das tarifas da distribuidora pelo governador do Paraná, Beto Richa, que foi motivado pela onda de protestos no país.

Para julho, os analistas optaram por excluir a BR Properties e a Telefônica Vivo e incluir a Mahle Metal Leve e a Alupar, com o objetivo de permanecer com empresas de caráter mais defensivo e boas pagadoras de dividendos, aliando companhias voltadas ao crescimento e que apresentam consistência na entrega de resultados.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
Alupar ALUP11 ND ND
Banco do Brasil BBAS3 ND ND
Coelce COCE5 ND ND
Grendene GRND3 ND ND
Mahle Metal Leve LEVE3 ND ND
Taesa TAEE11 ND ND
Tractebel TBLE3 ND ND
Vale VALE5 ND ND

Santander

No mês de junho, a carteira de dividendos do Santander registrou queda de 8,32% e no acumulado do ano apresenta recuo de 8,50%. 

Papéis incluídos: Itausa. Papéis retirados: Bradesco e Qualicorp. 

Segundo o relatório da corretora, as ações da Itausa foram incluídas na carteira porque devem ter uma performance melhor do que outras empresas do setor durante a temporada de divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2013, que tem início na segunda metade de julho. A Qualicorp deixa a carteira pela ausência de catalizadores positivos no curto e no médio prazo. E o Bradesco foi excluído porque, segundo os analistas, possíveis perdas com operações de tesouraria podem prejudicar seus resultados do segundo trimestre de 2013. 

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/13)
Ultrapar UGPA3 R$ 62,00 2,61%
CPFL Energia CPFE3 R$ 27,40 6,64%
Itausa ITSA4 R$ 13,00 4,10%
Telefônica VIVT4 R$ 58,00 8,97%
BR Properties VRPR3 R$ 31,50 1,56%
Transmissão Paulista TRPL4 R$ 37,77 7,44%

Um Investimentos

A carteira de dividendos da Um Investimentos apresentou queda de 6,36% em junho. O desempenho no ano não foi divulgado.

Não houve alterações na carteira de julho. Segundo a corretora, a Cemig tem um perfil defensivo, possui alta previsibilidade de geração de caixa, se beneficia de reajustes tarifários anuais pela inflação. A Taesa, subsidiária da Cemig, também conta com as vantagens de atuar no setor de utilidade pública e, além disso, desfruta de contratos de concessão diferenciados, assinados entre 1999 e 2006, cujos vencimentos são previstos apenas para 2015. O Bradesco apresenta um variado leque de produtos, com forte exposição ao segmento de seguros (25% do market share), o que suaviza eventuais impactos de redução do spread bancário.

A Grendene, uma das principais produtoras de calçados no país, é sugerida porque tem produtos de baixo tíquete médio, o que lhe garante um caráter defensivo no atual cenário de crise. E a CCR, segundo os analistas, possui uma receita diversificada, boa previsibilidade de caixa e pode ganhar com o aumento do tráfego de veículos. E os riscos da empresa seriam o aumento da intervenção e a resistência a novas concessões por parte do governo. 

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado
Bradesco BBDC4 R$ 37,50 ND
CCR CCRO3 R$ 22,22 ND
Cemig CMIG4 R$ 25,46 ND
Grendene GRND3 R$ 25,00 ND
Taesa TAEE11 R$ 26,00 ND

XP Investimentos

A Carteira XP Dividendos encerrou o mês de junho com queda de 6,28% e no ano acumula desvalorização de 1,11%.

Papéis incluídos: Alupar. Papéis retirados: Taesa. 

A Alupar, holding com atuação nos segmentos de transmissão e geração de energia, é sugerida pela corretora por ser uma empresa eficiente operacionalmente, com baixo nível de indisponibilidade de suas linhas, margens acima da média e retorno elevado (característica do segmento de transmissão). Os analistas ainda ressaltam que as linhas da companhia não se concentram em uma região específica (empresa tem atuação nacional) e seus contratos de concessão são de longo prazo, com términos entre os anos de 2030 e 2042.

A corretora também destaca que superou o benchmark em 5,04 pontos percentuais, e teria feito mais se o desempenho da Equatorial não tivesse afetado tanto a carteira. Segundo os analistas, a negativa para o reajuste tarifário da Copel disseminou uma grande aversão ao risco para o setor e prejudicou o desempenho da carteira. 

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
Alupar ALUP11 ND ND
Banrisul BRSR6 ND ND
Cielo CIEL3 ND ND
Equatorial EQTL3 ND ND
Telefônica (Vivo) VIVT4 ND ND

Veja no vídeo a seguir quando uma ação é boa pagadora de dividendos:

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