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Empréstimos | 10/05/2011 08:36

6 mudanças no crédito consignado

Bancos grandes devem ganhar espaço nessa modalidade de crédito, que é dominada por instituições de pequeno e médio porte e ainda convive com a informalidade

EXAME.com

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São Paulo – O volume de crédito dobrou durante os oito anos do governo Lula. Entre as modalidades de empréstimo à pessoa física, nenhuma cresceu tanto quanto o crédito consignado, em que as parcelas devidas ao banco são descontadas do holerite ou do benefício diretamente pela empresa ou instituição responsável pelo pagamento. Nem mesmo o recente aumento dos juros e as medidas macroprudenciais que reduziram a disponibilidade de capital dos bancos impediram que o crédito consignado continuasse a crescer rápido. O que, sim, mudou nos últimos meses foi a origem dos empréstimos, que migraram de pequenos e médios bancos de nicho para grandes instituições financeiras. As transformações nesse mercado estão apenas no começo, já que novas regulamentações para o crédito consignado devem entrar em vigor nos próximos meses. Para entendê-las, EXAME.com conversou com um representante de uma instituição financeira de pequeno porte e outro de um banco grande. Leia a seguir um compilado das entrevistas de André Bax, diretor comercial Lecca Financeira, e de Marcelo Linardi, superintendente de crédito consignado do Santander, sobre o que deve mudar nesse segmento nos próximos anos:

1 - Os bancos pequenos e médios terão menos fôlego para crescer

O crédito consignado é historicamente um negócio dominado por bancos pequenos e médios. Mas as coisas começaram a mudar nos últimos meses, quando o Banco Central aumentou os custos dos bancos na concessão do crédito consignado. A alta da Selic e as medidas macroprudenciais fizeram com que os bancos pequenos e médios tivessem mais dificuldades para levantar os recursos que depois serão usados para a liberação dos empréstimos a clientes. Essas medidas do BC afetaram todas as instituições financeiras, mas são particularmente ruins para os bancos pequenos é médios, que possuem menos depósitos em caderneta de poupança e conta corrente e dependem mais das condições do mercado para captarem recursos. Esse cenário tende a se agravar nos próximos anos, quando deve entrar em vigor o aumento das exigências de capital para as instituições financeiras previstas nos acordos de Basileia 2 e Basileia 3. Para piorar, foram descobertas as fraudes no banco PanAmericano. Como a instituição vendia o mesmo empréstimo para mais de um banco, a operação conhecida como cessão de carteiras de crédito foi paralisada. Essas operações ajudavam os bancos pequenos a expandir a concessão de empréstimos e só devem ser retomadas no ritmo que se via no ano passado quando estiver pronta a nova Central de Cessão de Crédito, que dará segurança e transparência a esse mercado. Uma última mudança que vai prejudicar os bancos menores a partir de 2012 é que o lucro da cessão de créditos não entrará mais de uma vez no caixa dos bancos pequenos e médios e passará a ser realizada a cada mês, proporcionalmente ao valor do crédito que deve ser abatido pelo tomador. Essa é outra mudança que obrigará os bancos pequenos e médios a pisar no freio. A solução futura para as pequenas instituições passa pela procura de outras fontes de financiamento, como FIDCs, CDBs e RDBs, por exemplo.

2 - Os bancos grandes vão continuar a ganhar mercado

As medidas do Banco Central não fizeram o crédito consignado parar de crescer. O volume de empréstimos a servidores públicos passou de 100 bilhões para 122 bilhões de reais no período de 12 meses encerrado em março. Já entre os trabalhadores privados, o crédito pulou de 15 bilhões para 20 bilhões de reais. Apesar do aperto, os bancos grandes se aproveitaram das dificuldades dos pequenos e médios para avançar nesse mercado. Os grandes bancos conseguiram essa façanha mesmo sem comprar créditos das instituições menores. O que os bancos fizeram foi aumentar a originação própria de crédito consignado e também a compra de empréstimos dos correspondentes bancários. Os bancos pagam uma comissão para os correspondentes em troca desses créditos. O que se observou nos últimos meses foi o aumento da comissão paga. O crédito consignado é um segmento muito disputado pelos bancos porque a inadimplência é mais baixa. Apesar de não ser tão rentável, o banco tem uma garantia mais firme de que vai receber o empréstimo. Como o crédito é descontado diretamente no holerite, só há inadimplência em caso de desemprego ou morte do tomador. Para o banco, não adianta nada expandir a carteira com o aumento de créditos de recebimento duvidoso. Muitas vezes é mais rentável conceder um empréstimo com juros mais baixos, mas que são honrados, do que créditos caros para um tomador que não consegue pagá-los. É por isso que os grandes bancos entrarão cada vez mais nesse filão do mercado.

3 - Haverá menos correspondentes bancários

A partir de 2012, o Banco Central vai aumentar a fiscalização e o controle sobre a concessão do crédito consignado pelos correspondentes bancários que atuam no Brasil. Todos os correspondentes terão de ser certificados. Uma primeira consequência disso será a redução no atual número de correspondentes, que chega a 60.000. Além disso, os promotores de vendas (ou "pastinhas", no jargão do mercado) terão de ter algum vínculo com o correspondente bancário. Hoje esses profissionais ficam na frente das agências ou fazem vendas porta a porta. Quando fecham um acordo com um tomador do crédito consignado, eles repassam o contrato ao correspondente bancário que pagar a comissão mais alta, que, por sua vez, também repassa o crédito ao banco que pagar a remuneração mais elevada. Com tanto intermediador, fica até difícil responsabilizar alguém quando há uma fraude. Então a intenção do BC é formalizar a atuação de todos os agentes. O banco que comprar o crédito consignado dos correspondentes vai precisar dar atendimento ao cliente que tomou o dinheiro, seja via SAC ou ouvidoria. De certa forma, o banco também passa a ser responsável por prestar esclarecimentos sobre determinado empréstimo que foi concedido fora de suas agências, mas que faz parte de sua carteira de crédito. A partir de fevereiro de 2012, os bancos terão de elaborar relatórios semestrais de qualidade com todos os acionamentos que tiveram via SAC, descrevendo o tipo de problema e a solução apresentada.

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