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São Paulo - Em vez de ações da Vale, da Apple ou do Google, coleções de porcelana chinesa, obras de arte, garrafas de vinhos, atletas e cassinos. Investir no que se consome, em hobbies, paixões e vícios: estes são os conceitos que regem os fundos de investimento alternativos (e exóticos) que têm atraído investidores e curiosos em todo o mundo nos últimos anos.
Fundos de vinho, arte, atletas, produções cinematográficas e os passional assets (fundos passionais) podem causar estranheza, mas possuem suas lógicas particulares e em alguns momentos representam uma boa alternativa aos investimentos convencionais. “A crise de 2008 virou de cabeça para baixo o mundo econômico e mostrou que o investimento alternativo é excelente neste tipo de cenário, porque mexe com outros sentidos e não só com o ganho financeiro”, explica Heitor Reis, gestor do fundo Brazil Golden Art (BGA).
Os riscos, no entanto, podem ser tão ou mais imprevisíveis do que os de fundos convencionais. No lugar do risco de uma crise, entram fatores como o risco de uma armazenagem incorreta dos vinhos, a falta de interesse em uma coleção ou a lesão de um jogador de futebol. É por isso que estes fundos requerem mais cautela e são mais voltados a investidores superqualificados (no Brasil, aqueles que têm ao menos 1 milhão de reais para investir), que buscam nas excentricidades ou em suas maiores afeições maneiras de diversificar seus portfólios.
Um quadro estimado em 500.000 reais pode passar a valer 1 milhão em um lance de um comprador aficionado, mas pode cair drasticamente de preço logo depois.
Além disso, a liquidez desse tipo de investimento também costuma ser muito baixa. Um fundo de arte e ou de vinhos tem prazo mínimo de cinco anos, que é o período que os gestores estipulam para que os ativos se valorizem. No caso de um atleta, deve-se esperar uma negociação para que os ganhos sejam realizados. Por isso, estar ciente das características, dos riscos e do histórico de um produto como esse é ainda mais importante.
Veja a seguir como funcionam seis tipos de fundo inusitados que têm chamado atenção de investidores:
1. Fundos de obras de arte
Em novembro de 2010 foi lançado o primeiro fundo de investimento em arte do Brasil. O sucesso foi tanto que, em 15 dias, 70 investidores compraram as cotas mínimas de 100.000 reais e foi alcançada a meta de captação de 40 milhões de reais. O fundo Brazil Golden Art (BGA), da gestora Plural Capital, tem mais de 540 obras na carteira, de 300 artistas brasileiros contemporâneos.
Conforme explica o gestor do fundo, Heitor Reis, a carteira contempla tanto “blue chips”, quanto “small caps”. “Temos entre 70% de small caps, que são os artistas emergentes, e 30% de blue chips, que são os artistas consagrados, como José Resende e Tunga”, explica Heitor Reis, ex- diretor do Museu de Arte da Bahia e gestor da carteira.
A liquidez do fundo é também bastante peculiar. O prazo mínimo para o resgate do investimento é de 5 anos. Quando os gestores devem realizar os ganhos vendendo as obras.
Aqui no Brasil este é o único fundo de investimento em arte e atualmente está fechado para captação. Mas, o gestor espera que em breve seja aberta uma nova oferta. “Nós estamos avaliando se seria outro fundo de arte brasileira ou latino-americana”, revela Reis.
Quem tem dinheiro e paixão por arte também pode investir nesse tipo de ativo participando de leilões. O lado bom de um investimento como esse é que você pode comprar uma obra, admirar seu valor artístico durante certo tempo e depois leiloá-la novamente com lucro.
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