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Algumas vitrines são dispostas com a intenção de estimular compras que não eram previstas
São Paulo - As medidas promovidas pelo governo para ampliar a oferta de crédito abriram as portas do consumo a milhões de brasileiros. O incentivo ao crédito ajudou a economia a crescer 40% de 2004 a 2011, mas o modelo já começa a dar sinais de arrefecimento: a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), caiu de 3,09% para 2,99% e 45% da renda anual dos brasileiros está comprometida com dívidas, segundo o Banco Central. Este nível de endividamento é recorde no país, e o nível de arrependimento dos brasileiros em relação às dívidas não deve estar muito diferente.
A inadimplência no financiamento de veículos também bateu recorde e chegou a 5,9% em abril. Os carros devolvidos por inadimplentes e alienados por bancos e financeiras já estão lotando os pátios de leiloeiros e mesmo assim as ofertas de crédito continuam.
Com tanto estímulo, é natural que o consumo aumente, mas tanto para o governo, quanto para o seu bolso, é muito importante que as compras sejam feitas conscientemente. As dívidas resultantes de compras impulsivas podem frear não só os seus investimentos quanto a economia nacional.
Para que você não faça parte das estatísticas de inadimplência, a reportagem da EXAME.com conversou com especialistas da área de finanças, marketing comportamental e psicologia e selecionou seis dicas de como evitar a "ressaca moral" depois das compras.
1. Estipule o valor máximo a ser despendido antes da compra
Tanto as prateleiras de supermercados, quanto as vitrines em lojas são dispostas de forma a atrair o consumidor para produtos que ele não pretendia consumir incialmente. “Aquelas coisinhas penduradas na fila do caixa, por exemplo, poderiam ser chamadas de compra por impulso”, brinca o professor Mário Ernesto René Schweriner, Coordenador do Núcleo de Ciências do Consumo da ESPM.
Fazer uma lista das compras de supermercado ou estipular o valor máximo que será gasto em uma roupa ou até em um carro podem frear o ímpeto de comprar além do necessário. “Cada vez menos as pessoas estão avaliando o produto antes de comprar. Planejar o gasto antes de sair de casa pode ser uma solução”, diz Renata Maransaldi, psicóloga clínica do Ambulatório de Transtornos do Controle do Impulso do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP.
Uma pesquisa do Target Group Index, ferramenta do Ibope, realizada com 20.736 brasileiros mostrou que 27% dos entrevistados das classes A e B compram produtos impulsivamente nos supermercados. Da classe C, 29% fazem as compras por impulso e 28% das classes D e E.
Segundo Mário René, muitas vezes o consumidor utiliza o seu lado racional para justificar o impulso emocional da compra. Por isso, quando os critérios da compra são definidos antes, as justificativas racionais para aquele ato perdem força. “As pessoas se enganam e usam a parte racional do cérebro para dar razão à emoção”, esclarece.
2. Identifique se o consumo é decorrente de algum problema emocional
Em alguns casos, problemas emocionais podem gerar o impulso para as compras. Renata Maransaldi explica que algumas pessoas consomem de forma impulsiva para suprir algum sentimento de vazio. “O consumidor tem que avaliar se está comprando para encobrir algum sentimento, isso acontece muitas vezes”, afirma.
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