São Paulo - Depois de uma década experimentando, fracassando e aprendendo com os erros você provavelmente deve se encontrar em uma posição financeira mais sólida aos 30 anos.

Em caso afirmativo, você pode estar se perguntando o que fazer com o dinheiro que sobra no final do mês agora que você não gasta mais todo o seu salário ou vive no cheque especial. Você também pode estar assombrado pela dúvida do que fazer para encarar despesas maiores agora que você atingiu os 30 anos e talvez pense na possibilidade de casar, ter filhos ou investir em outra formação.

Para auxiliá-lo nessa decisão, listamos abaixo cinco maneiras de aplicar o dinheiro com o objetivo de ter um futuro mais próspero.

1) Aumente as contribuições feitas ao seu plano de previdência

Aos 30 anos você tem um ativo valioso que deve ser muito bem aproveitado: o tempo. Quanto mais dinheiro você economizar a partir de agora, mais você terá no futuro, ao se aposentar.

Você já deveria estar contribuindo para o plano de previdência oferecido pela sua empresa, principalmente se o empregador também realiza contribuições em seu nome. Em alguns planos, a empresa pode até mesmo contribuir com uma quantia igual à sua. Ou seja, a cada 1 real que você investe na aplicação financeira, a empresa também investe 1 real, o que dobra facilmente o seu patrimônio e torna o plano muito vantajoso. Recusar contribuições a um plano com estas condições, portanto, desafia a lógica.

Se já estiver realizando contribuições a um plano de previdência, seja o oferecido pela empresa ou contratado de forma particular (neste caso, veja se não vale mais a pena trocá-lo por outro investimento mais rentável, dependendo das taxas cobradas), talvez seja o momento de aumentar os valores mensais aplicados no fundo, principalmente se você recebeu um aumento de salário recentemente.

É recomendável aumentar os valores da aplicação a cada ano, mesmo que a renda não tenha aumentado ao longo desse tempo e o valor adicional pareça simbólico. Na verdade, qualquer 0,5% a mais fará uma grande diferença nos rendimentos obtidos no longo prazo.

2) Adquira o seguro que você precisa

Seguros em geral – seja o da casa, do carro ou de vida – costumam ser geralmente deixados de lado, ou ao menos figurarem no final de uma lista de prioridades financeiras. Mas é importante pesquisar e verificar os benefícios que podem oferecer e, principalmente, os prejuízos que podem evitar.

Aos 30 anos, o orçamento tende a ficar mais apertado por conta do maior acúmulo de despesas fixas, que podem ser filhos, uma nova formação, negócio próprio ou o financiamento da casa. Portanto, fica mais arriscado ter de arcar com gastos imprevistos, como os gerados por um carro roubado, por exemplo.

Um produto financeiro que geralmente não é levado em conta na hora de montar um portfólio de proteção contra imprevistos é um seguro contra invalidez. Contudo, o prejuízo financeiro de não ter essa proteção pode ser enorme, o que deveria colocar esse produto financeiro no topo da lista de contratações.

Além de contratar um seguro específico que inclua a cobertura por invalidez, outra forma de se prevenir o problema é, mesmo que você contribua para um plano de previdência privada, continuar a contribuir ao INSS.

Apesar das incertezas sobre qual será o valor do benefício no futuro, por conta do déficit registrado no sistema previdenciário do país, o INSS tem benefícios importantes que compensam as contribuições: um deles é a pensão por invalidez, aponta Fernando Meibak, sócio da consultoria financeira Moneyplan. O benefício é pago aos contribuintes enquanto persistir a incapacidade.

3) Economize para a compra da casa

Se você pretende comprar uma casa, o ideal é que você já tenha economizado ao menos 20% do valor para dar como entrada do financiamento.

Atualmente, a maioria dos bancos financiam até 80% do valor do imóvel, mas ainda é necessário fazer com que a dívida caiba no bolso, já que o valor das prestações deve corresponder a no máximo 30% da renda bruta ou líquida da família, dependendo do banco no qual o imóvel será financiado (veja qual a renda necessária para financiar um imóvel em 20 cidades).

Ou seja, quanto mais for possível economizar e aumentar o valor dado como entrada, maiores as chances de ter o crédito aprovado, diminuir o tempo da dívida e pagar menos juros. Hoje, os juros cobrados pelos bancos giram em torno de 11,20% ao ano, em média.

Portanto, se você está com 30 anos e ainda não atingiu este objetivo financeiro, faça uma reserva financeira para esta finalidade. Quanto mais dinheiro você tiver na mão para a aquisição da casa própria, maiores são as chances de obter bons descontos na negociação, especialmente em um momento de desaquecimento do mercado imobiliário, como o atual.

4) Faça uma reserva financeira para a chegada das crianças

Ter filhos tem um custo alto. Há quem diga que os gastos para criar uma criança até que ela se torne um jovem adulto podem atingir a cifra de 2 milhões de reais, dependendo do nível de renda dos pais e suas prioridades. Ou seja, se você planeja ter filhos, é melhor se prevenir e começar a poupar o quanto antes para este objetivo.

A melhor maneira de fazer isso é criar uma reserva financeira. Isso não significa deixar o dinheiro parado na poupança, cujo rendimento vem sendo negativo se comparado à inflação. Prefira aplicar o dinheiro em investimentos mais rentáveis, porém seguros, pensando no médio e longo prazo, desde o momento em que a criança nascer até atingir a idade adulta (conheça quatro investimentos simples e seguros que batem a poupança).

5) Defina objetivos financeiros

Sem metas bem definidas de onde aplicar o dinheiro, é mais fácil cair na tentação de realizar gastos desnecessários. Aos 30 anos, em um momento no qual as despesas tendem a ficar maiores, seja com o carro, a casa ou crianças, esse comportamento se torna mais arriscado e pode ser um passo para o superendividamento.

Definidos os objetivos, como realizar um curso no exterior ou comprar uma casa, fica mais fácil saber de quanto dinheiro você irá precisar para atingi-los. Planilhas eletrônicas e aplicativos podem ajudar na tarefa de controlar o orçamento

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