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Bolsa | 18/04/2011 07:51

10 erros que o investidor pode evitar

Autor de livro sobre finanças comportamentais explica como o investidor deve agir para sobreviver a si mesmo na bolsa

Divulgação

Aquiles Mosca, estrategista do Santander Asset Management

Aquiles Mosca, do Santander: investidor deve ter manual de sobrevivência contra si mesmo

São Paulo - Milhões de razões podem levar alguém a perder dinheiro no mercado acionário. Falta de sorte, viradas inesperadas da bolsa e assimetria de informação estão entre as principais. Quando se trata de prejuízos que poderiam ter sido evitados, no entanto, é bastante comum que tenham sido causados por fatores emocionais e comportamentais do próprio investidor. "O processo decisório humano está repleto de imperfeições oriundas de características inatas e tendências inconscientes, muitas delas resultantes do próprio processo evolutivo da raça humana", diz Aquiles Mosca, estrategista de investimentos da Santander Asset Management e autor do livro "Finanças Comportamentais".

Entender como funciona o cérebro e aprender a dominar o coração e os nervos, portanto, podem ajudar o investidor a melhorar sua performance. Ensina o estrategista do Santander: "No meio aeronáutico, costuma-se dizer que aviões não caem, mas são derrubados. (...) O mesmo vale para os investimentos em bolsa." Abaixo e nas próximas páginas, EXAME.com apresenta os dez fenômenos comportamentais mais comuns que podem prejudicar um poupador. A lista foi elaborada a partir de um compilado de frases colhidas durante uma entrevista com Aquiles Mosca e em seu livro:

1 – O efeito certeza - A maior parte da população não está disposta a correr riscos para ganhar dinheiro. Diversos estudos comprovam que, em períodos longos de tempo, as bolsas de valores tendem a apresentar uma rentabilidade superior à da renda fixa. Mas as pessoas não gostam de conviver com a ideia de retornos variáveis. Para evitar perdas ainda que momentâneas, muita gente descarta a possibilidade de investir em ações. A explicação psicológica é que o estresse associado a uma perda é significativamente maior que o prazer associado a um ganho da mesma proporção. O efeito prático é que os recursos investidos em renda fixa superam facilmente as participações em bolsa na maior parte dos países. Para superar o efeito certeza, o investidor deve dar um passo de cada vez. Uma primeira iniciativa interessante seria alocar um pequeno percentual do dinheiro disponível em ações. Aplique apenas entre 5% e 10% dos recursos poupados na bolsa com uma perspectiva de resgate sempre superior a um ano. Não acompanhe o desempenho das ações diariamente. À medida que os benefícios da paciência ficarem claros no médio e longo prazo, o investidor automaticamente ganhará a confiança necessária para aumentar a carteira de ações.

2 – O fenômeno da representatividade - Informações que recebemos no presente ou no passado recente exercem importante influência sobre nossa capacidade de julgamento e tomada de decisão. Nossa avaliação referente a eventos futuros é, em grande parte, uma extrapolação do que estamos vendo no presente ou do que vimos há pouco tempo. É por isso que, quando a performance da bolsa é positiva em um mês, podemos ter certeza que no mês seguinte a bolsa receberá fortes aportes de investimentos de pessoas físicas. A tendência de tentar prever o futuro com base no passado assemelha-se a conduzir um carro com base no que estamos vendo no retrovisor - com resultados igualmente desastrosos. É provável que quem compra ações após um período de alta esteja pagando caro pelo ativo. Esse erro é tão comum que toda modalidade de investimento, bem como suas propagandas e prospectos, precisam vir acompanhadas da frase "rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura". Parece então um erro conhecido e simples de ser evitado. Porém, como toda tendência comportamental inata e inconsciente, evitá-la não é fácil.

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