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São Paulo - Já se foi o tempo em que a única missão das imobiliárias era auxiliar as incorporadoras na hora de vender um empreendimento. Por estarem o tempo todo em contato com potenciais compradores e terem montado bases de dados a partir das informações coletadas nos plantões de vendas, hoje as imobiliárias ganharam uma enorme importância na fase de planejamento dos lançamentos. Antes de decidir qual tipo de empreendimento vai ocupar um terreno, a incorporadora consulta a imobiliária para saber que imóveis seriam absorvidos pelo mercado mais facilmente. Para descobrir quais imóveis têm sido mais procurados pelos clientes na Grande São Paulo, EXAME.com conversou com dois vice-presidentes da terceira maior imobiliária do país, a Fernandez Mera. Abaixo, Eduardo Figueira (vice-presidente de operações) e Vinicius Vieira Leite (desenvolvimento) falam sobre os imóveis que os corretores não precisam se esforçar para vender e sobre a tendência para os preços na cidade:
EXAME.com - O preço dos imóveis já chegou ao teto?
Leite - Não acho que vai continuar subindo como nos últimos dois anos. O que aconteceu é que o mercado paulista estava muito atrasado. As incorporadoras estavam construindo empreendimentos com margens de lucro injustificáveis O empresário só não mantinha o dinheiro aplicado no banco ao invés de construir porque queria manter a estrutura e os funcionários, à espera de um momento melhor na economia. Essa correção de preços já aconteceu, mas também não acho que os imóveis vão simplesmente estacionar onde estão. Existem regiões em São Paulo em que não há mais como construir. Em bairros como Perdizes ou Vila Mariana, os terrenos disponíveis estão tão caros que muitas vezes inviabilizam novos projetos. Além disso, já não há mais como conseguir autorização da prefeitura para construir em determinadas regiões. Então a oferta vai continuar muito escassa, pressionando os preços. A redução no número de lançamentos é um dos motivos que levou a Fernandez Mera a investir no mercado de usados. Vamos abrir 11 unidades de revenda de imóveis na cidade até o fim do ano para atender os clientes que hoje não conseguem lançamentos em bairros como Alto de Pinheiros ou Perdizes.
EXAME.com - Então os preços só vão subir onde há problemas de oferta a partir de agora?
Leite - Essa é uma questão que depende do crescimento da economia. Se o Brasil crescer tanto quanto se espera nos próximos 20 anos, os preços não vão ficar para trás. Muita gente já diz que os valores cobrados no país estão fora da realidade. O argumento dessas pessoas é que os preços aqui são altos mesmo quando comparados aos de Miami. Mas isso é comparar alhos com bugalhos. Não dá para montar uma relação de preços entre São Paulo ou China com cidades falidas da Europa, por exemplo. Como a demanda aqui está muito mais aquecida, o mercado tem que refletir isso.
EXAME.com - Mas devido à alta dos preços dos últimos anos, muita gente já começa a se perguntar se não há uma bolha imobiliária em formação, não?
Figueira - Eu não acredito nisso. A demanda por imóveis no Brasil é de primeira moradia. É gente que sempre sonhou em comprar uma casa e nunca teve a oportunidade. Só que agora a economia está bem, há crédito disponível nos bancos e as pessoas estão percebendo isso. Há lançamentos que a gente faz em que o estande é aberto às 7h e já tem uma enorme fila de gente que não quer perder a oportunidade de comprar um imóvel. Temos que distribuir senha para organizar as vendas. São pessoas que querem uma casa própria ou um imóvel melhor para morar. Não é como nos EUA, onde o cara tinha dez hipotecas e nenhum ativo real como garantia daquelas dívidas.
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