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Última atualização 23/05/2017 - 17:20 FONTE

Dicas para fazer um test-drive de concessionária valer a pena

Dirigir o carro pretendido é fundamental antes de assinar o cheque. Saiba como aproveitar ao máximo essa experiência decisiva

Todo mundo que já comprou um automóvel, novo ou usado, sabe a importância que tem o test-drive – termo que virou sinônimo de período de experiência rápida com um produto qualquer.

Ele é tão importante na tomada de decisão de uma compra que no início do anos 2000 o então presidente da Ford Brasil, Antonio Maciel Neto, foi à TV fazer o seguinte desafio: pagaria 100 reais a quem escolhesse um carro da concorrência mesmo depois de ter dirigido um veículo da marca.

“O consumidor é imediatamente impactado por um bom test-drive. É a oportunidade que as duas partes, vendedor e comprador, têm para se afinar”, afirma Cacá Clauset, diretor da TSO Brasil, especialista em elaborar test-drives em eventos de montadoras.

Segundo ele, a boa avaliação deveria ser personalizada para cada carro, de modo a simular as reais condições de uso.

“E o bom vendedor tem de saber diferenciar o curioso do comprador sério, pois ele será demitido se passar o dia fazendo test-drives de meia hora com cada cliente.”

Então, como tirar o máximo proveito desse menu para degustação? Para responder a essa dúvida, preparamos um roteiro para você saber o que fazer quando estiver ao volante do seu futuro carro.

Topografia

Suponha que esteja de olho num carro 1.0. Nada mais natural que desconfiar se a potência desse motor vai dar conta do peso do veículo em subidas.

A escolha das autorizadas onde realizar o test-drive começa pela topografia da região. Ou seja, se for para avaliar o comportamento do veículo em aclives, é melhor optar por uma revenda nos bairros de Perdizes (zona oeste de São Paulo) ou Santa Teresa (centro do Rio de Janeiro), conhecidos pelas subidas íngremes, do que em Moema (zona sul) ou Ipanema (zona sul), mais planos.

Se tiver tempo, você pode levar seu automóvel ou outro que seja uma referência no segmento para ter um parâmetro de comparação.

Pergunte sempre

Antes de sair para dar a famosa voltinha, questione o vendedor sobre o percurso que será feito, qual é sua extensão (um test-drive normalmente tem 1,5 km, mas pode se estender por algo entre 4 e 6 km, dependendo do roteiro e da paciência do vendedor que o acompanha) e se é possível desviar um pouco do roteiro para examinar alguma especificidade do veículo ou mesmo repetir a dose.

Lembre-se de que é interesse dele vender e que o investimento no automóvel não é pequeno. Dependendo do caso, o vendedor vai argumentar que não pode abrir exceções em razão de cobertura de seguro, que em tese seria feito apenas para aquele percurso – o que nem sempre é verdade.

Se você demonstrar interesse na compra, sem exagerar no test-drive, ele provavelmente vai deixar que você avalie o carro como quiser.

Situações reais

Ao avaliar o automóvel, além de pegar subidas e verificar itens como retomada de velocidade, precisão nas trocas de marcha e torque do carro para superar obstáculos como lombadas e valetas em segunda e terceira marcha, procure submeter o automóvel a situações reais.

Por que não convidar mulher e filhos para “carregar” o carro, participar do passeio e compartilhar opiniões? Afinal, eles também serão usuários do veículo, especialmente nas longas viagens. Se você tem dificuldade de visibilidade com seu carro durante uma baliza, aproveite para simular também essa situação.

Conforto e segurança

Além do desempenho, um dos itens que mais contam na hora de comprar um automóvel são os equipamentos de conforto e segurança. Se você está adquirindo um modelo com versão de acabamento básica ou intermediária, certifique-se do que vem ou não no seu carro logo que entrar no veículo de test-drive, pois em geral essas unidades de avaliação são topo de linha.

No mínimo, isso pode evitar frustrações quando você receber seu carro e descobrir que a direção dele é bem mais pesada que a da unidade que dirigiu antes da compra, porque veio sem sistema hidráulico.

Se estiver sozinho, não se esqueça de checar itens que podem passar despercebidos por quem não costuma viajar no banco traseiro, como certificar-se se há encosto de cabeça para todos, se os vidros também têm acionamento elétrico ou se o assento traseiro é bem mais desconfortável que os dianteiros.

Olho no horário

Muitos não têm tempo de fazer test-drive no meio da manhã ou da tarde. Mas o horário certo é o que vai simular melhor o uso do carro no dia a dia. Costuma pegar muito trânsito? Procure avaliá-lo em horários de pico, como início de manhã ou fim de tarde. Experimentar o carro em um domingo de trânsito livre pode não ser adequado para uma avaliação completa.

Você mora em um condomínio fora da metrópole e pega estrada para ir e vir do trabalho todo dia? Então escolha uma concessionária perto de alguma rodovia e convença o vendedor a dar uma esticadinha até lá.

No entanto, se você tiver tempo e paciência, o ideal é experimentar as duas condições, pois apenas com ruas livres e pouco movimentadas vai poder sentir com clareza aspectos como desempenho do motor em linha reta e em retomadas, capacidade de frenagem e estabilidade em curvas – mas sempre sem descuidar da segurança.

Volta lenta

Antes de sair, não tente poupar o tempo do vendedor. Faça tudo o que tem de ser feito: ajuste adequadamente a altura do assento e do cinto de segurança e a posição dos retrovisores. Verifique onde se encontram os principais comandos.

Testar rádio e Bluetooth é bom, mas, durante o test-drive, o melhor é desligar o som a fim de avaliar o nível de ruído a bordo (se você e os ocupantes conseguem se entender em uma conversa num tom de voz normal), a ergonomia (se você fica confortável ao volante) e a absorção de impactos da suspensão (nas ruas brasileiras não faltam pisos irregulares, mas procure uma rua de paralelepípedos para verificar seu comportamento no limite).

E se for um usado?

Num usado, deve-se checar tudo o que se verifica num novo e mais um pouco. Todos os comandos têm de ser experimentados, como os de ar-condicionado, vidros elétricos (inclusive os traseiros), maçanetas das portas, fechaduras, regulagens de banco, botões do rádio, setas e faróis etc. Aqui é menos para descobrir como eles funcionam e mais para ver se todos funcionam.

“Test-drive num usado é totalmente diferente”, diz o analista de sistemas Lucas Nascimento, que já realizou inúmeros test-drives, mas nunca comprou um carro zero, só usados. “No usado, você precisa estar bem mais atento a barulhos, condições gerais de rodagem, desgaste de algumas peças, entre outros pontos. No zero, é basicamente sentar e dirigir.”

Essa matéria foi originalmente publicada no Guia Quatro Rodas.