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Internauta se preocupa por marido conversar abertamente sobre dinheiro na frente dos filhos
Dúvida da internauta: Na minha infância meus pais e eu nunca falamos sobre dinheiro. Já na infância do meu marido era costume falar até durante as refeições. Agora que formamos uma família, ele procura conversar abertamente sobre o assunto, enquanto eu prefiro deixar reservado a nós dois. Quem está certo? Devo mudar minha atitude? Será que não vou prejudicar a relação com os pequenos se começar a trazer esse assunto desde cedo?
Resposta de Celina Macedo*:
É em casa que aprendemos e trocamos conhecimentos. É onde os filhos recebem educação para a vida. E nessa educação está incluída a financeira. Portanto, dinheiro é assunto de criança.
Os pais que evitam falar sobre dinheiro na frente dos filhos geralmente são motivados por um sentimento de proteção e acreditam que esse é um problema do qual as crianças devem ser preservadas. Mas os filhos que presenciam conversas sobre a situação financeira da família – desejos, metas e estratégias – não entendem dinheiro como um problema e, sim, como solução.
O dinheiro é entendido como solução inclusive quando os pais falam sobre a falta dele e buscam alternativas para gastar menos do que recebem. Ou seja, quando os pais estão fazendo uma análise detalhada do orçamento da família e observam para onde está indo o dinheiro, quando elegem prioridades no consumo e cortam desperdícios ou gastos que não melhoram a qualidade de vida da família, eles estão ensinando aos filhos a fazer uso consciente e responsável do dinheiro.
Ao ouvir essas conversas, as crianças nem sempre estão entendendo todos os detalhes, mas certamente elas percebem pelos atos e posturas dos pais que eles estão cuidando do dinheiro. E muito cedo elas notam que dinheiro é um meio para se adquir alguma coisa. Quando, por volta dos dois anos, a criança vem com a famosa frase “compra mãe?”, é sinal de que esse conceito já está internalizado.
Portanto, as lições sobre dinheiro entram na vida delas desde muito cedo. E, atenção: as crianças aprendem mais pelos exemplos do que ouvindo conversas. Filhos de pais que gastam mais do que ganham tendem a se tornar adultos descontrolados com dinheiro ou excessivamente poupadores – e nenhum dos dois comportamentos é bom.
Mais do que ouvir, as crianças devem ser chamadas para participar das conversas sobre o dinheiro da família. Aqui é importante levar em consideração a linguagem e o conteúdo que deve ser adaptada ao universo da criança. Essa linguagem deve fazer sentido e ter um propósito.
Por volta dos 3 anos a criança entra na “fase dos por quês”, quando sente necessidade de obter explicações sobre determinados fatores que a rodeiam. Isso mostra que ela está atenta a sua volta. Uma pergunta como “por que você não compra esse carrinho?” pode ser aproveitada para explicar porque ela não vai receber presentes fora de datas específicas, como o aniversário, e que ela deve esperar até lá. A mesma pergunta serve como gancho para ensinar a criança que é necessário trabalhar e se esforçar para ter dinheiro. Os pais podem dizer o que realmente fazem, que é bom trabalhar, que quando a família gasta mais é preciso trabalhar por mais tempo – o que significa menos horas de brincadeira com o filho. Indo por esse caminho, a criança vai compreender.
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