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Interior da agência do Banco Itaú, na Avenida Faria Lima.
São Paulo - O Itaú quer mudar a forma de o brasileiro se relacionar com o cartão de crédito. O banco vai reduzir o juro do meio de pagamento de 12% para 5,99% ao mês, mas ampliará o período de cobrança. Para quem entrar no rotativo, a taxa retroagirá ao dia da compra, e não do vencimento. Além disso, gastos feitos após o pagamento parcial da fatura terão incidência automática de juros.
A instituição diz acreditar que a mudança será, na maioria dos casos, vantajosa ao consumidor, embora admita que parte dos clientes possa terminar pagando mais juros. Com base no comportamento atual da nossa base, 80% das pessoas vão pagar menos juros e 20% vão passar a pagar mais, afirmou Fernando Teles, diretor de cartões do Itaú.
As novas regras valerão somente para o produto Itaucard 2.0, a ser lançado na semana que vem. Só vai migrar para a nova modalidade o cliente que assim escolher - quem se arrepender, poderá voltar atrás. Segundo executivos da instituição, a mudança é uma forma de o Itaú reduzir os juros. À medida que o modelo pegar, o Itaú afirma que a ideia é baixar o juro cobrado - taxas partindo de 3,99% ao mês já estão no horizonte do banco. O Itaú argumenta ainda que retroagir a cobrança à data da compra é uma prática comum em países como Inglaterra e Estados Unidos. Nesses mercados, no entanto, as taxas da modalidade de pagamento são bem mais baixas, e variam de 0,8% a 1,5% ao mês.
No modelo atual, se o consumidor faz uma compra de R$ 500 no dia 8 e paga R$ 75 de sua fatura que vence no dia 25, ele pagará 12% sobre os R$ 425 que refinanciou no próximo vencimento: total de R$ 51. Na nova regra, a pessoa pagará 5,99% sobre os R$ 425 e a mesma taxa sobre a diferença de 17 dias entre a compra e o vencimento (despesa de R$ 42,43). No entanto, caso a compra tenha sido feita 30 dias antes do vencimento, a vantagem do corte de juro se perde, pois o período de cobrança dobrará.
Outra mudança que aumenta a chance de o consumidor pagar mais juros é a determinação de que, a partir do pagamento parcial de uma fatura, todas as compras posteriores terão automaticamente a cobrança da taxa de 5,99% (hoje, o cliente só vai arcar com mais juros se voltar a pagar o mínimo no mês seguinte). Segundo Teles, o objetivo é mostrar ao cliente que, ao pagar o mínimo, ele está usando o cartão como instrumento de crédito, sobre o qual incidem taxas.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, considera a mudança confusa demais para o cliente e diz que o Itaú está tentando adotar um modelo americano com juros ainda bastante elevados. Dependendo da situação, pode ficar igual a hoje ou até ser uma desvantagem, afirma. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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