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Imóvel em construção: comprador deve ter capacidade de poupança de 150% da prestação mensal
São Paulo – Com os preços dos imóveis nas alturas, ficou bem mais difícil comprar uma casa ou apartamento à vista. Segundo Marcos Yunes, presidente da incorporadora Yuny, que atua tanto no segmento de alta renda quanto em imóveis econômicos, apenas os compradores endinheirados costumam adquirir um apartamento sem contar com a ajuda de um financiamento bancário.
Já para os imóveis que são financiados dentro do Sistema Financeiro da Habitação (aqueles de até 500.000 reais), o financiamento de parte da compra é praticamente uma regra. Em primeiro lugar, porque os juros são mais atrativos. Também incentiva o endividamento o fato de que a maior parte da classe média brasileira ainda não ter juntado os recursos necessários para quitar a aquisição à vista.
Os bancos brasileiros são a grande barreira para a expansão do crédito imobiliário no Brasil. As instituições costumam ser bem mais rigorosas que as estrangeiras na liberação do crédito imobiliário. As restrições ocorrem de diversas maneiras. Em geral, o comprador terá de comprovar uma renda bastante elevada, superior a 20.000 reais por mês, caso peça um empréstimo de 500.000 reais, por exemplo.
Os bancos também preferem liberar recursos para quem vai pagar uma boa parte do imóvel à vista. Na média brasileira, os compradores pagam mais de 30% do imóvel à vista e financiam menos de 70% do valor da propriedade. Por último, muitas vezes o crédito só é liberado com prazos de pagamento longos, de forma que cada parcela comprometa 30% ou menos da renda mensal do comprador.
Mesmo com todos esses cuidados dos bancos, o crédito imobiliário ainda pode ser muito perigoso. Os empréstimos geralmente serão pagos em 10 a 30 anos. Até que o bem seja quitado, portanto, o tomador do financiamento poderá perder o emprego ou ficar temporariamente sem uma fonte de renda. É principalmente nessa hora que surge a inadimplência. Nos Estados Unidos, após o estouro da bolha imobiliária em 2008, mais de 4 milhões de imóveis foram retomados pelos bancos por falta de pagamento.
A perda do imóvel de moradia pode ser um duro golpe para a família e acabar até com casamentos. Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, a melhor forma de evitar o pior é fazer as contas e conversar com a família antes de fechar o contrato. Abaixo, ele indica os sete passos para o correto planejamento financeiro da aquisição de um imóvel:
1 – Antes de contratar um financiamento, teste se o pagamento é viável. Faça uma simulação em qualquer banco de quanto custaria a prestação do imóvel desejado, mas não assine nenhum contrato. Nos meses seguintes, tente guardar ao menos o valor da prestação. Se o sacrifício se mostrar enorme, é melhor começar a sonhar com um imóvel mais barato. O ideal, inclusive, é que a pessoa consiga poupar 150% do valor da parcela por mês, já que, junto com o imóvel, haverá despesas com escritura, cartório, parcela das chaves (no caso de apartamentos na planta), acabamentos e decoração, entre outros. Quem conseguir atingir esse objetivo deve aplicar o dinheiro guardado em algum investimento de baixo risco, como a poupança, um CDB (papel emitido pelos bancos), um fundo DI ou os títulos públicos vendidos via Tesouro Direto. Essas aplicações oferecem baixa volatilidade e liquidez diária. São indicados, portanto, para alguém que pode ter sacar os recursos a qualquer momento para dar a entrada em um imóvel.
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