Comprar, esperar, investir? O que fazer com a alta do dólar

Para quem tem viagem marcada a melhor opção pode ser comprar a moeda aos poucos; e quem quer investir para ganhar com a alta, deve estar ciente dos riscos

São Paulo – Diversas notícias sobre as oscilações do dólar têm estampado os noticiários nas últimas semanas. Diante desse turbilhão de informações, quem tem uma viagem para o exterior planejada se pergunta o que fazer, assim como os pequenos investidores, que podem estar se questionando se este é um bom momento para ganhar dinheiro com a valorização da moeda norte-americana.

O movimento de alta mais forte do dólar começou com a sinalização de redução dos estímulos econômicos por parte do banco central norte-americano, o FED, o que foi interpretado pelo mercado como um indício de que os Estados Unidos estão se recuperando mais rápido do que se previra.

Como as flutuações do mercado se baseiam em expectativas, o sinal foi o suficiente para que investidores no mundo todo ficassem mais otimistas com a economia norte-americana, provocando a valorização da moeda.  

Conrado Navarro, consultor financeiro e sócio do Dinheirama, explica que diante do posicionamento do FED, duas tendências se apresentam. “Quando o FED despeja dólares na economia, aumenta a circulação de moedas. Mas, quando ele para de imprimir dólar e fecha a torneira lá, diminui a circulação do dólar nos Estados Unidos e no mundo inteiro e com a maior escassez da moeda, ela se valoriza”. 

A segunda tendência é resultado da maior confiança na economia norte-americana. Segundo Navarro, com a maior atratividade dos Estados Unidos, grandes investidores institucionais do mundo todo tendem a reduzir suas posições em outros países para levar os recursos para lá. Com menos dólares também aqui no Brasil, a cotação da moeda se eleva para os brasileiros. 

Para quem vai viajar

No curtíssimo prazo: Para quem pretende viajar nas próximas semanas, comprar o dólar agora ou pouco antes da viagem não deve fazer muita diferença, segundo Navarro. “De qualquer forma, já vale a pena comprar a cotação de agora e não fazer nenhuma aposta” diz. 

No médio e no longo prazo: Já quem deve viajar só dentro de alguns meses, ou no ano que vem, a recomendação é comprar os dólares para a viagem aos poucos. “Se a viagem for daqui a seis meses, o melhor a fazer é comprar a moeda de forma pausada: um pouco agora, um pouco no mês que vem, mais um pouco em agosto, de novo setembro e assim por diante. Garantir um preço médio da cotação é muito melhor do que tentar adivinhar o que vai acontecer”, diz Navarro.

Conforme ele explica, se mesmo para profissionais que lidam diretamente com o mercado é muito complicado prever o comportamento da moeda, para a pessoa comum, a tarefa é quase impossível. Apesar da tendência de alta do dólar, inúmeros fatores podem influenciar a trajetória da moeda, tanto no cenário nacional quanto internacional.

Se o FED voltar atrás e disser que não vai mais reduzir os estímulos, por exemplo, um movimento totalmente diferente poderia ocorrer. “A principal questão que deve influenciar a cotação do dólar é a recuperação econômica dos Estados Unidos. Uma série de bancos, instituições de pesquisa, órgãos internacionais de suporte econômico, o FMI, etc. esperavam a recuperação americana em um prazo maior e hoje vemos uma recuperação mais rápida. Então é algo realmente muito difícil de se prever”, afirma o sócio do Dinheirama. 


Investimento

Um dos produtos mais indicados para o investimento em moedas estrangeiras é o fundo cambial. Esse tipo de fundo investe em títulos emitidos em moeda estrangeira por bancos e empresas que acompanham o comportamento da moeda. Ele permite, portanto, que o investidor compre euros ou dólares com antecedência e mantenha o valor de compra até a viagem.

A aplicação vale principalmente para investidores que tenham algum compromisso no exterior que deve ser pago no futuro com a moeda estrangeira, uma vez que eles garantem proteção contra a variação cambial, processo chamado de hedge cambial. 

Ou ainda para investidores mais agressivos, que buscam uma estratégia de diversificação. “Os fundos servem principalmente para proteção, mas o pequeno investidor que quiser investir porque acredita na valorização do dólar, deve destinar no máximo 5% ou 10% dos seus investimentos ao fundo cambial”, orienta Conrado Navarro. 

Quem pretende investir com o objetivo de multiplicar o patrimônio, deve estar ciente de que a tarefa de antecipar a flutuação do câmbio é extremamente complexa. Além disso, os fundos cambiais não investem só em títulos atrelados à variação cambial, mas também em títulos que pagam juros sobre a variação da moeda, taxa chamada de cupom cambial. Dessa forma, mesmo que a moeda referida do fundo sofra uma alta no período, se a Taxa Selic aumentar e o fundo tiver papéis com juros de longo prazo, as cotas podem sofrer uma perda.

Vale ressaltar também que em um cenário de desvalorização dólar a perda pode ser grande. Um investidor que aplicou 19 mil reais em um fundo cambial, com o dólar a 1,90 real terá 10 mil dólares. Se o dólar passar a 1 real, o investidor continua a ter 10 mil dólares, mas se fizer o resgate em reais terá apenas 10 mil investidos.

Como investir

O primeiro passo para fazer essa aplicação é procurar uma insituição financeira que ofereça o serviço. O investimento inicial desta modalidade de fundo costuma ser de 1 mil reais, mas fica a critério da instituição estabelecer um piso maior.

Também variam de acordo com a instituição as taxas de administração cobradas, questão que deve balizar a escolha de onde investir e a avaliação sobre as vantagens da aplicação. 

O investidor deve observar também que existe uma tributação de imposto de renda sobre os ganhos, que varia de 22,5% a 15%, dependendo do prazo da aplicação. Por isso, se a aplicação for de curto prazo, as taxas cobradas podem não compensar o investimento.