Os 5 erros mais comuns na educação financeira dos filhos

Psicólogo ensina o que não dizer para as crianças e quais assuntos não devem ser encarados como tabu

São Paulo – A cada Dia das Crianças, milhões de brasileiros têm despesas extras com os presentes dos filhos. Especialistas em educação, no entanto, alertam que os pais não devem atender todas as vontades das crianças. O correto é falar com os filhos desde cedo sobre o valor do dinheiro e tentar encontrar um presente que traga satisfação e que ao mesmo tempo caiba no orçamento doméstico.

Esse é apenas um equívoco cometido pelos pais. A partir de uma entrevista com o psicólogo Brad Klontz, o site Moneywatch.com listou os cinco erros mais comuns na educação financeira dos filhos. Veja abaixo a forma certa de agir:

O que não dizer: “60 reais numa fantasia de Carnaval? É muito caro. Desculpe-me, mas não podemos arcar com essa despesa”

Muitas vezes você se sente mal ou culpado por não dar a seus filhos tudo o que eles pedem. Por isso, pede desculpas a eles.
 

O que fazer: Diga quanto pode ser gasto com a fantasia

Seja objetivo e direto. Se o orçamento permite que se gaste apenas 15 reais com uma fantasia, sugira que vocês procurem em brechós ou lojas de artigos usados. Se você conseguir ser firme, é provável que seus filhos não consigam discutir a questão.


O que não fazer: Lei do silêncio quando o assunto é dinheiro

“As crianças associam muito rápido o dinheiro e seu poder de compra”, explica Klontz. “Não existe problema em falar sobre dinheiro com crianças muito novas. O erro é não falar sobre o assunto, pois eles vão tirar suas próprias conclusões sobre como funciona o dinheiro, baseado no que veem ou escutam, o que pode ser perigoso.”

Se essas conclusões não forem questionadas, essas crianças podem se tornar adultos com visões deturpadas do dinheiro. Por exemplo, uma criança que cresce em ambiente financeiramente instável pode passar a vida achando que nunca terá dinheiro suficiente pra nada. “Existem dois caminhos típicos: ou ele se torna uma pessoa que trabalha e economiza demais ou então um gastador, uma vez que acredita que nunca terá dinheiro suficiente”, diz.

O que fazer: Ensine seus valores com relação ao dinheiro

Quando seu filho pedir um novo jogo de computador, diga não e explique o motivo. “É importante que a criança se acostume com a ideia de que não pode ter tudo o que quer” diz Klontz. Explique que a família tem outros planos para o dinheiro, como uma viagem em família ou algum conserto importante na casa. E caso você escute comentários equivocados dos filhos em relação às finanças, não hesite em corrigi-los.

 

O que não dizer: “Não sei como vamos pagar as contas neste mês”

Nervoso com as contas acumuladas? Não adianta dividir isso com seus filhos. Eles não podem fazer nada para ajudar. “Não dê a eles mais informação do que precisam”, diz Klontz. “Não adianta envolvê-los em assuntos nos quais eles não têm nenhum poder de solução. Colocar essas preocupações na cabeça deles só os torna mais ansiosos”.

O que fazer: Seja confiante e envolva seus filhos apenas em assuntos que podem ajudar

Explique aos seus filhos a situação e pergunte como eles podem ajudar. Por exemplo: “Estamos um pouco apertados neste mês. Seu pai perdeu o emprego, mas já esta à procura de outro. Não se preocupem pois vamos encontrar uma saída. Por enquanto, vamos comer menos fora de casa. Você tem alguma ideia de coisas que podemos cozinhar juntos?”


O que não dizer: “Meu salário não é da sua conta”

Se seus filhos perguntam o quanto ganha, você fala a verdade? É compreensível que não. Não há garantia nenhuma que eles consigam manter a informação em sigilo. No entanto, é bom ter em mente que, se você não tocar no assunto, estará mandando a mensagem de que ter muito ou pouco dinheiro é motivo de vergonha.

O que fazer: Seja honesto

Klontz, que se reúne semanalmente com 30 adolescentes, diz que responde naturalmente quando eles o perguntam o quanto ganha por mês. “As pessoas falam mais sobre sua vida sexual do que suas finanças. Eu não vejo motivo algum para sentir vergonha com relação ao que se ganha”, explica Klontz. “Se te perguntam, não vejo problema em contar. Você pode até pedir que não comentem com terceiros, mas explique o por quê. Diga que você tem medo que outras pessoas lhe julguem por ter mais ou menos dinheiro.”

O que não dizer: “Eu trabalho para pagar por seus brinquedos e escola”

Se seus filhos reclamam que você trabalha demais, é natural explicar a eles o quanto trabalhar é importante para manter o conforto da família.

O que fazer: Preste atenção no que está realmente acontecendo

Quando seus filhos derem a entender que você não passa muito tempo com eles, é correto explicar o quanto o trabalho é importante. Mas deixe bem claro que eles são a prioridade. Também procure criar horários fixos para ficar com as crianças, sem pensar ou falar em trabalho.