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São Paulo - Muitas vezes defasados em termos de tecnologia, design ou na oferta de itens de série, os carros brasileiros superam e muito seus pares vendidos lá fora em um único quesito: o preço. Se a entrada dos importados com suas agressivas estratégias de marketing ameaçava mexer com a concorrência e forçar as montadoras a rever as margens, o aumento do IPI para os veículos trazidos do exterior reforça as antigas regras do jogo: ao invés de tomar medidas para baratear a produção nacional, o governo recorre ao aumento da carga tributária para tornar os importados menos competitivos.
É importante lembrar que, mesmo antes do aumento do IPI, os carros estrangeiros já pagavam no momento do desembarque no país uma alíquota de 35% de imposto de importação mais todos os tributos cobrados das montadoras instaladas no Brasil. O recente avanço dos carros importados no mercado local só comprova a grande ineficiência da indústria automobilística brasileira, que não conseguia manter mercado nem com tal privilégio. Ao invés de cortar impostos sobre as montadoras nacionais que investissem no Brasil como havia prometido, o governo decidiu subitamente elevar a altura da barreira aos carros importados, com o cuidado de isentar apenas os argentinos e mexicanos da medida.
O impacto ao consumidor será enorme. Apesar de algumas lojas já realizarem reajustes, a maioria dos preços ainda nãos subiu e o mercado apenas trabalha com a estimativa de aumentos entre 25% e 28%. A medida deve afetar principalmente os carros de luxo. Nas próximas páginas, EXAME.com mostra oito provas de que a diferença de preços dos carros no país e no exterior já é grande demais e que o novo aumento do IPI só vai agravar a injustiça com o consumidor brasileiro.
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