Aprenda a investir seguindo apenas estes cinco passos

Aplicar dinheiro pode ajudar a realizar o sonho de dar entrada na casa própria ou se matricular na pós-graduação no exterior

São Paulo – Muita gente imagina que para ganhar dinheiro com aplicações financeiras é preciso ser um expert no assunto. Para o alívio de novos investidores, na verdade, qualquer um pode começar a investir e basta um mínimo de conhecimento e dedicação para realizar a tarefa.

Os investimentos são o ponto de partida para a realização de sonhos, como a compra da casa própria e a realização de uma pós-graduação no exterior, por exemplo. Especialistas ouvidos por EXAME.com dizem que ser disciplinado é mais importante do que correr o tempo inteiro atrás de ótimas rentabilidades.

Com as dicas da educadora financeira Cássia D’Aquino e do professor William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confira em cinco passos o que é preciso fazer para estrear nesse ramo e quais investimentos são mais fáceis para iniciantes.

1. Quite suas dívidas

Parece óbvio, mas eliminar as dívidas é um dos segredos para começar a investir. Não vale ter dívidas no cheque especial para iniciar essa jornada, nem usar o dinheiro investido se você perder o emprego ou tiver um problema de saúde inesperado. É preciso ter uma reserva de emergência à parte, que deve também estar investida em aplicações financeiras, para então pensar em ganhar dinheiro com novos investimentos.

2. Defina um objetivo

Fica mais fácil poupar e resistir às tentações quando se tem um objetivo, como comprar um carro, pagar o mestrado ou viajar nas férias. Também é útil determinar um prazo para o objetivo ser realizado. A partir daí, é só calcular quanto o sonho vai custar e quanto tempo vai demorar para que ele se concretize, conforme a rentabilidade da aplicação escolhida e o valor mensal que é possível depositar. Nos sites de bancos e corretoras independentes, há calculadoras que ajudam nessa tarefa.

3. Compare as taxas

Taxas de rentabilidade e de administração podem variar bastante de um banco para outro. Pesquisar exige paciência, mas é melhor dedicar um pouco do seu tempo a isso do que perceber lá adiante que você poderia ter ganhado mais dinheiro.

4. Acompanhe a rentabilidade

Em aplicações simples de renda fixa, como as que serão mencionadas a seguir, o investidor não precisa desenvolver uma gastrite para acompanhar os rendimentos diariamente.

Ao revisar os investimentos uma vez por mês já é possível checar se a sua estratégia continua fazendo sentido e se as aplicações têm ficado em linha com a taxa básica de juros da economia, Selic, que é usada como referência para determinar o rendimento das principais aplicações de renda fixa do mercado.

5. Escolha investimentos mais simples

Caderneta de poupança, fundos simples, Tesouro Selic e CDBs são os investimentos menos complicados para quem está começando. Veja a seguir suas principais características.

Caderneta de poupança

Apesar de ser a aplicação mais popular, seu rendimento é inferior ao de outros investimentos tão simples quanto ela. Nos últimos 12 meses encerrados em março, a caderneta rendeu apenas 8,17%, segundo a Calculadora do Cidadão do Banco Central, bem abaixo da inflação medida pelo IPCA, que subiu 9,39% no mesmo período.

Sua principal vantagem é a isenção do Imposto de Renda. Como outros investimentos de renda fixa costumam ser tributados pela tabela regressiva do IR – cujas alíquotas variam entre 22,5% a 15%, de acordo com o prazo -, em até seis meses, quando o IR é o maior possível, de 22,5%, a poupança pode até ser mais ligeiramete mais rentável, mas em prazos maiores outras aplicações serão mais vantajosos.

Fundos Simples

Rendem mais do que a poupança, já que esse investimento acompanha a variação da taxa DI. Normalmente, os fundos simples têm o objetivo de pagar ao investidor uma remuneração equivalente à variação dessa taxa, que fica muito próxima à Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano.

Com 100 reais, é possível investir nesse tipo de fundo. Ele permite que o investidor saque os recursos a qualquer momento, mas suas desvantagens são a taxa de administração e o desconto de Imposto de Renda.

Para checar se o fundo vale a pena, verifique a sua rentabilidade líquida de taxa de administração e veja se o seu rendimento tem sido suficiente para superar a variação da taxa Selic.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Nesta aplicação, o investidor empresta dinheiro ao banco e é remunerado por isso. Normalmente, o CDB também é atrelado à taxa DI. Sua segurança é a mesma que a da poupança, mas sua rentabilidade é maior e costuma ser negociada com o banco. Também permite resgatar o dinheiro a qualquer hora.

Por não possuírem taxas de administração, os CDBs costumam ser mais rentáveis que alguns fundos de investimento, sobretudo os CDBs de bancos médios. Ainda que eles sejam mais arriscados – e ofereçam rendimentos maiores justamente por isso – em caso de quebra do banco, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) reembolsa ao investidor os eventuais prejuízos até o limite de 250 mil reais. 

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é o título público que paga ao investidor a variação da taxa Selic durante o período do investimento. Para comprar o título, basta abrir uma conta em bancos ou corretoras habilitados a negociar os títulos públicos e realizar a compra pelo site Tesouro Direto (veja o passo a passo para investir). Algumas instituições chegam a isentar o investidor da taxa de administração. 

Entre suas vantagens está o baixíssimo risco de calote – já que o emissor do título é o governo – e a garantia de que seu rendimento sempre acompanhará a taxa Selic. Ainda que seja uma boa opção de investimento, títulos bancários como CDBs têm oferecido remunerações maiores já que, por serem emitidos por bancos, seus riscos de crédito são maiores. 

Confira a matéria completa sobre os tipos de investimento que batem a poupança.