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Caso a patrocinadora fique inadimplente, esse déficit não será sanado, o que pode culminar na liquidação do fundo. Nesse caso, a transferência do prejuízo será feita para os participantes, que provavelmente terão seus benefícios bruscamente reduzidos. Os casos da Aerus, fundo de pensão da Varig, e da Portus são emblemáticos nesse sentido. Em ambos, a questão não era o benefício definido, mas a inadimplência das patrocinadoras pesou para os participantes.
No caso da Aerus, cujo caso ainda se arrasta na Justiça, o fundo era, indevidamente, credor da Varig, e com a falência da empresa teve problemas para honrar os benefícios. Os participantes tiveram seus benefícios radicalmente reduzidos. Já no caso da Petrus, em que a União reconhece a inadimplência, segundo a “Folha”, o fundo está tendo que vender ativos para honrar seus compromissos, podendo ser liquidado em breve.
Para não enfrentarem esse problema de déficit estrutural, muitos fundos de pensão estão abandonando a modalidade de benefício definido para oferecer apenas a de contribuição definida, em que o benefício é função do patrimônio acumulado, sem nenhum compromisso de quantia ou rentabilidade por parte do fundo. Essa modalidade é, na verdade, a mais segura, tanto para o fundo quanto para o participante.
4. Cuidado com as simulações:
Mesmo que esteja em um plano de contribuição definida, se desejar simular sua aposentadoria, o participante de um fundo de pensão provavelmente vai se deparar com um simulador que ainda considera a perspectiva de juro real antiga. Cuidado com essas simulações, porque elas provavelmente não vão mais corresponder à realidade neste cenário de juros mais baixos que deve perdurar. Considerar um juro real de 2% ao ano tem sido mais realista, dizem especialistas.
5. Tenha um plano B:
Com a Selic a 8,5% e uma perspectiva de um Brasil com um patamar de juros mais baixo, os fundos de pensão já estão tendo dificuldade de bater suas metas atuariais. Com isso em mente, o beneficiário de um fundo desses pode pensar que será preciso abrir outra frente de poupança para a aposentadoria ou aumentar o valor das contribuições a fim de se aposentar com conforto. Isso vale especialmente para quem está perto de se aposentar, uma vez que seu plano não vai poder “tapar os buracos” ampliando a exposição ao risco na carteira.
Além disso, se o fundo apresentar qualquer problema de gestão – com maus resultados frequentes, grande exposição ao risco ou problemas de inadimplência – sua aposentadoria pode ficar completamente comprometida, caso o fundo seja seu único investimento de longo prazo. E, é claro, problemas de má fé também podem ocorrer.
Seguindo esse raciocínio, o beneficiário de um fundo de pensão pode destinar parte de sua poupança de longo prazo ao fundo, a fim de aproveitar o baixo custo e a contribuição da empresa, e destinar outra parte a outros investimentos mais diretos, como títulos longos do Tesouro, ações ou outros fundos de investimento.
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