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Balanço | 05/06/2012 18:41

Por que o investidor da Petrobras perdeu três vezes em 5 anos

Nos últimos 5 anos, ações preferenciais desvalorizaram 5,5%, frente a uma alta de mais de 60% do CDI

Divulgação

Plataforma da Petrobras

Investidor da Petrobras precisa ser bem paciente para retornos de longo prazo

São Paulo – A partir deste mês, EXAME.com vai fazer o balanço do desempenho de algumas ações no longo prazo, avaliando a rentabilidade do investidor que comprou determinado papel há cinco anos. O primeiro balanço será o da ação preferencial da Petrobras (PETR4), uma das mais negociadas do Ibovespa, que desde 4 de junho de 2007 acumulou ligeira queda de 5,5%, fortemente afetada pela crise econômica mundial iniciada naquele ano. No mesmo período, o Ibovespa permaneceu praticamente no zero a zero.

Já nos últimos quatro anos – de 4 de junho de 2008 a 4 de junho de 2012 – o tombo foi ainda maior. Desde o pior ano da crise, fortemente abalado pela quebra do Lehman Brothers, a ação já teve perdas de quase 51%. A aversão global a risco desde aquele ano impactou as ações da Petrobras, cuja queda mais forte no período que se deu do meio para o fim de 2008. Em 2009, com a forte recuperação das bolsas, o papel voltou a subir. Mas do início de 2010 para cá, houve apenas quedas.

Em compensação, o CDI nos últimos cinco anos teve alta de 67,25%, enquanto que nos últimos quatro anos o acumulado foi de 50,46%. Ou seja, quem investiu em renda fixa conservadora, pós-fixada ao CDI ou Selic obteve ganhos maiores de rentabilidade. “O acionista da Petrobras perdeu três vezes no período: na rentabilidade nominal, na rentabilidade real e no custo de oportunidade, pois podia estar no CDI”, diz Luiz Francisco Caetano, analista de investimentos da corretora Planner.

A crise mundial foi um dos principais motivos para esse mau desempenho, uma vez que os resultados da empresa se relacionam diretamente aos preços mundiais do barril do petróleo e à atividade econômica. “Desde a crise do Lehmann Brother, o mercado nunca mais conseguiu se estabilizar, e a crise se espalhou para a Europa e um pouco para a China”, diz Erick Scott, analista de Petróleo e Gás da corretora SLW.

Como exportadora, a estatal sofre com a queda na atividade econômica mundial, e vem se voltando para países emergentes, como China, Índia e Rússia; mas se em 2008 e 2009 a China foi o motor do mundo, de 2010 para cá, os primeiros sinais de desaceleração no crescimento estrondoso de sua economia, bem como sua luta contra a inflação, vêm se tornando preocupantes.

Demanda chinesa arrefecendo e demanda mundial reduzida prejudicam as empresas exportadoras de commodities. Além disso, por sua tamanha liquidez, a Petrobras é um dos papéis mais prejudicados quando os investidores estrangeiros decidem fugir dos mercados mais arriscados em tempos mais críticos, em busca de portos seguros ao redor do mundo.

Preço do petróleo

Mas se alta no preço do petróleo desde 2007 beneficia o lado exportador da Petrobras, o lado importador de combustível sofre, e o controle governamental do preço interno dos combustíveis só agrava a situação. Em momentos de queda no preço da commodity, como foi observado do início do ano até agora, essa pressão sobre os preços internos dos combustíveis diminui. Mas em momentos de alta, a diferença entre o preço do barril e os preços dos combustíveis que são mantidos baixos no mercado interno prejudica os resultados da empresa.

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