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Preço do ouro subiu nos últimos 12 meses, mas pode cair se Bolsa voltar a subir
São Paulo - O ouro costuma brilhar mais aos olhos de investidores em momentos de crise e pressão inflacionária. Por funcionar como uma reserva de valor, ele é tido por muitos como um porto seguro nestas situações. Como o preço desse metal varia com base nos fatores de oferta e procura, quando o mercado volta a se estabilizar, aplicações mais práticas e rentáveis atraem os investidores e ele pode sofrer desvalorização. Por causa desta volatilidade, é importante entender bem como funciona o investimento antes de entrar nesta aplicação.
Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos, explica que a aplicação em ouro é indicada para o investidor individual apenas se ele tiver sensibilidade para compreender os movimentos do mercado. “O pequeno investidor tem que ter conhecimento do mercado para entrar quando está barato e se aproveitar de momento de crise para vender. Tem que entender que a subida do ouro não é uma trajetória constante”, diz..
O quadro de incertezas - composto por valorização do dólar, crise europeia, quedas no juro e na Bolsa - tem ocasionado a valorização do ouro nos últimos meses. No Brasil, o ouro negociado na BM&F teve alta de 4,21% em 2011 e de quase 25% nos últimos 12 meses. O ouro pode se valorizar ainda mais, mas quando a aversão ao risco ceder, a queda deve acontecer porque os investidores se dirigem a aplicações mais rentáveis. “Em termos factuais o número de barras vai continuar lá, mas o investidor irá perder valor com a queda na procura”, avalia.
O célebre investidor americano e ex-sócio de George Soros, Jim Rogers, acredita que o preço do ouro deve recuar de 40% a 50%, caso a Índia pare de importar o metal ou se os europeus decidirem vender suas reservas. Segundo ele, a situação está piorando porque a dívida dos países ricos está alcançando novos tetos.
Sílvio Alface Neto, consultor financeiro e parceiro da corretora Socopa, afirma que, além de questões ligadas ao mercado, a cotação do ouro pode ser influenciada por outros fatores. “Todo final de ano aumenta a demanda pelo produto. Por causa da compra de joias a demanda aumenta e isso gera alta. Ou ainda, se chove muito, a extração nos garimpos é dificultada e o ouro volta a subir", explica
Observando apenas esses fatores, fica claro que o investimento em ouro envolve certa complexidade. Jurandir Macedo, consultor de finanças pessoais do Itaú Unibanco e professor da UFSC, não recomenda este tipo de aplicação para o pequeno investidor. Segundo ele, comprar ouro é apenas fazer uma reserva de valor, e é muito diferente da compra de uma ação de empresa, porque não gera riquezas. “A maior parte das pessoas investe sempre no que era bom. Ouro esteve bom nos últimos dois três anos”, conclui.
Como funciona a aplicação
No Brasil, a forma mais comum de investir em ouro é por meio da Bolsa de Mercadorias e Futuros. Para comprar ouro na BM&F, o investidor deve procurar uma corretora listada na Bolsa. A negociação mínima é de um contrato, que pode ser o lote-padrão de 250g ou os contratos fracionários de 10g e de 0,225g, que têm preços mais acessíveis, mas têm menor liquidez.
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