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Jovem norte-americano lucrou 3.000% com ações da Marvel depois de saber que a empresa seria comprada pela Disney
São Paulo - Bisbilhotando conversas, emails, documentos e o Blackberry da namorada que trabalhava no departamento de estratégias corporativas da Disney, o norte-americano Toby Scammell, de 26 anos, lucrou 192.497 dólares com a aquisição da Marvel pela empresa, em 2009.
Segundo acusação da SEC, órgão que atua como a CVM nos EUA, o lucro conseguido pelo jovem com o uso de informações privilegiadas chegou a 3.000% em menos de um mês. Para consegui-lo, Scammell adquiriu mais de 600 opções de compra das ações da Marvel em agosto de 2009. O montante acendeu o alarme da SEC por corresponder a mais de 90% do volume movimentado diariamente por estes ativos.
As opções de compra dão ao seu titular o direito de comprar as ações a que estão vinculadas em uma determinada data e a um determinado preço. Sabendo que os papéis da Marvel iriam subir dali a algumas semanas - pois seriam comprados pela Disney a 50 dólares por ação - Scammell adquiriu opções que estabeleciam preços de compra de 45 a 50 dólares, valores que superavam com folga a máxima atingida pelo papel até então, de 41,74 dólares.
Quando a Disney tornou seus planos públicos, a ação da Marvel fechou a 48,37 dólares, registrando uma valorização de 25% em relação ao dia anterior. Nos dias que se seguiram, Scammell vendeu suas opções de compra para os investidores que acreditavam que o papel subiria ainda mais, embolsando quase 200.000 dólares com a operação.
O dinheiro utilizado na estratégia foi tirado de um fundo de investimento do irmão, que havia deixado a ele a tarefa de cuidar de suas aplicações depois de partir para o serviço militar no Iraque. Segundo a acusação da SEC, nem o irmão nem a namorada (hoje ex) jamais ficaram sabendo da rentabilidade meteórica. "Scammell explorou seu namoro para colher lucros financeiros", afirmou Rosalind Tyson, diretora da SEC em Los Angeles. "E o uso indevido de informações confidenciais deu a ele uma vantagem injusta e ilegal sobre todos os demais investidores no mercado."
No sentença, a SEC determinou a devolução dos lucros com correção monetária e o cumprimento de penalidade civil.
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