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Bolsa | 21/02/2012 08:01

Investir só no que você conhece é erro, diz estudo

Quem compra apenas ações da própria empresa ou do setor em que trabalha correm muito mais risco e, na média, obtêm resultados piores que a média do mercado

João Sandrini, de
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Divulgação

Peter Lynch

Peter Lynch: sua teoria de que as pessoas só devem investir no que conhecem bem é contestada

São Paulo – O bilionário Warren Buffett costuma dizer que não investe em nenhuma aplicação financeira que não é capaz de entender. Já Peter Lynch, outro membro do grupo dos maiores gestores de investimentos da história, sempre repetiu como um mantra o conselho de comprar na bolsa apenas o que você conhece muito bem. Pensar dessa maneira parece fazer todo o sentido. Afinal, quanto mais informações um investidor tiver sobre um setor ou uma empresa, maiores serão as chances de ele antecipar os fatos positivos ou negativos que inevitavelmente surgirão – o que na bolsa é sinônimo de lucro.

O estudo “Do Individual Investors Have Asymmetric Information Based on Work Experience?”, no entanto, coloca em xeque essa antiga crença do mercado financeiro. Realizado pelos pesquisadores Trond M. Døskeland, da Norwegian School of Economics and Business Administrations, e Hans K. Hvide, da Aberdeen Business School, o estudo mostra que as pessoas que investem apenas em ações a que estão profissionalmente ligadas não conseguiram obter melhores resultados que a média do mercado.

Na amostra utilizada, que incluiu apenas ações negociadas na Noruega, os investidores que só compram papéis relacionados ao próprio trabalho tiveram um desempenho 5 pontos percentuais inferior à média do mercado ao ano. Isso quer dizer que se a bolsa local tiver subido em média 10% em 12 meses, por exemplo, essas pessoas só terão lucrado 5%.

Døskeland e Hvide chamaram de “viés de familiaridade” a crença errônea dos investidores de que comprar ações de setores conhecidos é mais seguro. Não que a pesquisa tenha chegado à conclusão de que é melhor investir no que você não conhece. O grande problema de ficar restrito às companhias familiares, mostra a pesquisa, é que as pessoas acabam concentrando demais seus portfólios em uma única empresa ou setor.

E carteiras de investimento restritas a um pequeno número de diferentes ações incorrem em riscos muito maiores do que os investidores que compram ao menos dez diferentes papéis, conforme comprovou o economista americano Harry Max Markowitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1990.

Outro fator que explicaria os maus resultados obtidos foi o excesso de confiança dos investidores. Os pesquisadores consideram que, na bolsa, as pessoas se sentem mais confiantes em comprar ações de empresas ou setores que já conhecem muito bem. É natural que isso aconteça, dada a natureza de alto risco do mercado acionário.

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