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Andrea Minardi, do Insper: IPO de empresa com sócio de private equity vai melhor
O Brasil dá sinais de que entrará em uma nova onda de IPOs. Oito ofertas iniciais de ações já estão em andamento ou dependem apenas de autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para serem realizadas na BM&FBovespa. Trata-se de uma profunda mudança em relação ao que foi visto nos últimos anos da década passada, quando os IPOs tornaram-se escassos devido à crise internacional, à maior seletividade dos investidores e à capitalização da Petrobras. Após algumas ofertas bem-sucedidas do último trimestre de 2010, o mercado voltou a se interessar pelas novatas.
Para quem está disposto a tentar surfar essa onda, é possível aprender bastante com os IPOs dos últimos anos. Os conselhos mais comuns são para que o investidor evite comprar papéis de empresas com múltiplos muito elevados, de companhias pré-operacionais ou que precisam realizar o IPO para pagar dívidas com bancos. Mas analisando com lupa os resultados dos IPOs da década passada, também é possível tirar conclusões bem menos óbvias - e que valem dinheiro. O estudo "Does Private Equity Investment Work as a Quality Certification for IPOs in Brazil?", traz uma delas. Elaborado pela professora Andrea Minardi e pelo aluno de pós-graduação Pedro Carvalho Araújo Tavares, ambos do Insper, o estudo mostrou que um importante fator de influência sobre o desempenho das ações após a oferta é a presença de um fundo de private equity no capital da companhia.
O levantamento considerou os resultados obtidos por 53 empresas que chegaram à bolsa entre 2004 e 2007. Foram avaliados os retornos de cada uma delas em um período de um ano após a data da estreia na BM&FBovespa. As empresas foram divididas em dois grupos. O primeiro incluiu as 26 companhias que tinham como sócio ao menos um fundo de private equity. Nesse caso, foi observado um retorno médio 17,6% superior ao Ibovespa no período considerado. Já o grupo das 27 empresas sem um sócio-investidor teve um desempenho 7,6% inferior ao do principal índice de ações da bolsa paulista. Uma baita diferença, portanto.
Os pesquisadores apontaram uma série de fatores que podem ter favorecido o melhor resultado do primeiro grupo. "Essas empresas com sócios de private equity estão mais bem-preparadas para se tornar companhias de capital aberto devido às melhores práticas de governança corporativa, à gestão mais profissional, ao alinhamento dos interesses da administração e dos investidores com programas de bônus por meritocracia ou à existência de conselhos de administração independentes", afirmam eles.
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