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Previdência com ações: renda variável incrementa ninho para a aposentadoria
São Paulo - Envelhecimento da população e desequilíbrio entre arrecadação e despesas tornam a previdência social um terreno cada vez mais arenoso no Brasil. Com o aumento da desproporção entre o número de contribuintes e aposentados, o governo estima que o déficit nos cofres públicos chegue aos 47 bilhões de reais neste ano. Se o cenário macroeconômico preocupa, fica claro que entregar ao INSS seu futuro financeiro pode ser bastante arriscado. Além disso, a aposentadoria pública pode não ser suficiente para manter o padrão de vida do cidadão. O beneficiário da iniciativa privada recebe hoje um teto de 3.467,40 reais. Oferecer a possibilidade de pendurar as chuteiras com um orçamento menos apertado é justamente o apelo dos fundos de previdência complementar. E se a diminuição da taxa básica de juros se espraia no horizonte de longo prazo, os produtos que apostam na renda variável surgem como a melhor alternativa aos que pretendem poupar para o futuro.
Basicamente, existem duas categorias de investimento nesta seara. Nos fundos de previdência balanceados, a gestão tende a ser passiva. O objetivo é fazer com que determinado percentual de ações sintetize a variação de um índice da bolsa. Assim, o sujeito que optar pelo produto terá uma expectativa mais clara do retorno entregue pelos ativos, já que o comportamento dos papéis deve se equiparar ao de um indicador. Já nos fundos multimercados com renda variável, a participação das ações sofrerá rearranjos quando novas estratégias de investimento forem adotadas. De qualquer forma, ambas as aplicações são obrigados por lei a ter no máximo 49% da carteira em ações para que o patrimônio do quotista não seja exposto a um risco excessivo.
No Brasil, estes produtos abocanham uma tímida parcela do mercado quando comparados aos investimentos tradicionais. Com 15,1 bilhões de reais em ativos, eles representam 9,3% do patrimônio total dos fundos de previdência. "Até por conta da inflação, a visão do investimento sempre foi culturalmente atrelada às vantagens e aos objetivos de curto prazo. Isso deve mudar gradativamente com as expectativas de crescimento econômico sustentável e disciplina fiscal mais rigorosa por parte do governo", afirma Renato Russo, vice-presidente da Fenaprevi (Federação Nacional da Previdência Privada e Vida).
Dados do Investment Company Institute (ICI) revelam que nos Estados Unidos, onde a bolsa tem apelo histórico entre os investidores, 54% dos recursos de fundos para aposentadoria foram exclusivamente alocados em ações em 2009, percentual correspondente a impressionantes 2,34 trilhões de dólares. Quando considerados os fundos híbridos, que misturam renda fixa e variável, a quantidade chega a 75% do total. "Crises econômicas não mudam a importância que o americano dá a estes ativos, especialmente para a previdência. O que pode mudar depois do estouro da bolha imobiliária é a alocação no prazo residual: faltando menos tempo para se aposentar, o investidor deve diminuir a exposição ao risco", acredita Russo.
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