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Fundos de índices | 28/03/2012 13:30

ETF é ruim para quem tem pouco dinheiro

Apesar da diversificação e do baixo custo de administração, despesas com a corretora podem inviabilizar o investimento

Nilton Fukuda/AGÊNCIA ESTADO

painel da Bovespa

ETFs têm cotas negociadas em Bolsa e dependem de conta em corretora

São Paulo – Quem gosta de ter uma parte de seu patrimônio atrelada a índices da Bolsa, a fim de surfar a tendência nas épocas de euforia dos mercados, encontra nos ETFs uma opção geralmente barata, com taxas de administração muito inferiores às dos fundos passivos comercializados por bancos e gestoras. Porém, ao contrário do que pode parecer, essa diferença de custos nem sempre se reflete em rentabilidade líquida maior para os ETFs em relação aos demais fundos indexados; e os custos adicionais com corretagem e custódia podem minar ainda mais os rendimentos.

Um estudo da FGV-SP mostra que, embora “de maneira geral” os ETFs apresentem “rentabilidade superior às rentabilidades dos fundos indexados ao mesmo índice”, nem sempre seu retorno líquido fica em primeiro lugar em relação a seus pares. O levantamento da pesquisadora Elaine Cristina Borges e do professor William Eid Júnior, ambos do Centro de Estudos em Finanças da FGV-SP, comparou fundos indexados ao Ibovespa, ao IBrX e ao índice Small Caps aos seus respectivos ETFs nos últimos dois ou três anos.

O ETF BOVA11, que acompanha o índice Bovespa, ficou apenas em 10º lugar em rentabilidade em 2009, numa comparação com mais 19 fundos e o Ibovespa. Enquanto o 1º colocado rendeu 71,1% e o Ibovespa acumulou alta de 70,4%, a rentabilidade líquida do BOVA11 foi de 67,2%. Nos dois anos seguintes, porém, o BOVA11 apresentou a mais alta rentabilidade líquida de todos os fundos comparados, superando inclusive o Ibovespa: 1,9% em 2010, superando a queda de 1,1% do Ibovespa, e -18,2% em 2011, queda menor que a retração de 18,9% do Ibovespa.

O ETF BRAX11, cujo desempenho foi avaliado nos anos de 2010 e 2011, teve bons resultados, mas também não foi o primeiro colocado em nenhum dos dois anos. Em 2010, o ETF ficou em quarto em comparação com outros 15 fundos e o IBrX, com rentabilidade de 6,2%. O primeiro colocado rendeu 6,7% e o benchmark teve alta de 6,6%. Já em 2011, o ETF só perdeu para um fundo e para o próprio índice, ficando em terceiro lugar. Enquanto o BRAX11 teve queda de 12,3%, o IBrX caiu 12,2% e o primeiro colocado caiu 11,8%.

Finalmente, o ETF SMAL11 foi, dos três ETFs estudados, o que apresentou os piores desempenhos dentro de seu grupo. No ano de 2009, o SMAL11 ficou em sétimo lugar, face a outros 22 fundos e ao índice Small Caps. A rentabilidade foi de 129,6%, um pouco acima do benchmark, que subiu 128,5%; o primeiro colocado rendeu 150,2%. Em 2010, o SMAL11 ficou em 10º lugar, com rentabilidade de 23,1%, novamente à frente dos 21,8% do índice Small Caps, mas bem atrás do rendimento de 43,2% do primeiro colocado. Em 2011, o desempenho do ETF caiu novamente, para 18º lugar, com queda de 17,6%. Naquele ano, o índice Small Caps retraiu 17,2%, e o fundo mais bem sucedido da amostra rendeu 3,1%.

Outros custos pesam para ETFs

O estudo da FGV considerou todos os fundos já líquidos de taxas de administração, mas não levou em conta outros custos envolvidos na negociação de ETFs que podem prejudicar ainda mais a rentabilidade. Embora sejam fundos indexados, os ETFs têm suas cotas negociadas em Bolsa como se fossem ações. Portanto, estão sujeitos à cobrança das taxas de corretagem, de custódia e dos emolumentos pagos à Bolsa, assim como outros ativos de renda variável.

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