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São Paulo – Em tempos de crise na Europa, o que não falta na bolsa são solavancos. A instabilidade do cenário internacional favorece oscilações fortes nos preços das ações. Esses movimentos de curto prazo representam uma oportunidade principalmente para os investidores que apostam no “day trade” - as operações de compra e venda de ativos fechadas em um único dia. “A bolsa está num momento complicado, difícil de desenvolver tendências de longo prazo. Como a volatilidade deve continuar, o momento é bom para quem quer se dedicar às operações day trade”, diz Leandro Ruschel, sócio fundador da comunidade de traders Leandro&Stormer.
O mercado brasileiro ainda é pouco automatizado quando comparado ao americano ou europeu. Boa parcela das ordens de compra e venda são disparadas manualmente pelos investidores. Já no exterior, supercomputadores armazenam enormes bases de dados com o comportamento histórico de preços de determinados ativos. Sempre que as condições de mercado indicam que o preço futuro de uma ação seguirá determinada tendência, os computadores disparam ordens de compra e venda desses papéis automaticamente.
Quando isso é feito centenas ou milhares de vezes em um único dia, essas operações passam a ser chamadas de alta frequência. “É uma busca de pequenas variações de preço, com diferenças de centavos”, diz Ruschel.
A partir de fórmulas matemáticas pré-definidas nos robôs para operar alta frequência, é possível realizar milhares de operações por segundo. Raphael Juan, diretor de produtos e novos mercados da CMA, empresa que fornece soluções para o mercado financeiro, explica que as operações de alta frequência têm duas aplicações principais. A primeira é a venda de lotes grandes de ações para conseguir lucros maiores com pequenas diferenças de preço. A outra é buscar operações simultâneas de compra e venda de um mesmo ativo em bolsas diferentes para obter lucro com uma pequena diferença de preços, o que é chamado de arbitragem.
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