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Mercado financeiro | 28/10/2011 07:00

As ações mais atrativas após o acordo europeu

Investidor deve continuar a olhar para setores defensivos e ligados ao mercado interno, mas algum risco na carteira já pode ser interessante

Fotomontagem/EXAME

Bradesco e Itaú

Os bancos, que já se recuperam, devem ser os mais beneficiados pelo anúncio europeu

São Paulo – O acordo de calote planejado da Grécia e de recuperação dos bancos europeus anunciado nesta quinta-feira animou o mercado de ações, mas especialistas ainda consideram cedo para dizer que a recuperação começou. O que ocorreu foi uma acalmada de ânimos, mas ainda pairam no ar muitas dúvidas de como o plano europeu será levado a cabo para por fim à crise na Zona do Euro.

O Ibovespa fechou a quinta-feira com alta de 3,72%, chegando aos 59.000 pontos, e o volume negociado fechou em 10 bilhões de reais, como há muito não se via. Apesar da euforia, os analistas ouvidos por EXAME.com são cautelosos. Para eles, o plano anunciado foi só o primeiro passo, e o mercado ainda deve ver bastante volatilidade no curto prazo.

Algumas opiniões se dividem, mas todos concordam que agora as instituições financeiras devem assistir a uma recuperação. A maioria acredita ainda em boas perspectivas para o setor de commodities, mas algumas orientações de tempos de crise permanecem, como priorizar setores defensivos e empresas ligadas ao mercado interno. Há quem acredite que agora já é uma boa hora de adicionar algum risco na carteira, mas ainda com cuidado e observando os setores mais beneficiados.

Quanto à postura do investidor, o conselho também continua o mesmo. “O investidor deve ter cautela e comprar ações aos poucos, e sempre pensando no longo prazo, porque a volatilidade continuará alta”, alerta Mitsuko Kaduoka, diretora da área de Análise de Investimentos da Indusval & Partners Corretora. Veja a seguir as recomendações dos analistas:

Felipe Miranda, analista da Empiricus

"Depois desse acordo, a Bolsa entra num período mais favorável, mas não quer dizer que todos os problemas tenham sido solucionados. Ainda há necessidade de união fiscal dentro da união monetária – o euro não sobreviverá no longo prazo sem isso. Também existe a necessidade de endereçar os problemas de crescimento econômico na Europa, pois de nada vai adiantar tudo isso se a Europa não voltar a crescer economicamente.

Mas o cenário de catástrofe foi afastado. As medidas anunciadas sinalizam que o pânico de curto prazo arrefeceu, e isso é muito bom. Para aproveitar esse momento, o investidor pode adicionar um pouco de beta à carteira. O beta é uma medida de sensibilidade da ação às condições de mercado. Ele indica quanto a ação sobe quando sobe o Ibovespa. Em outras palavras, quão forte é a oscilação quando o índice oscila. Uma ação de beta alto oscila muito quando o Ibovespa oscila pouco. São ações com maior sensibilidade ao mercado, boas para quando se acredita que o mercado vai subir.

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