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As Small Caps podem ter boas perspectivas de crescimento no longo prazo
São Paulo - As ações small caps, no acumulado do ano, tiveram melhor desempenho do que as empresas que compõem o Ibovespa. O índice BM&FBovespa Small Cap apresentou rentabilidade de 6,78% (de janeiro até o fechamento do dia 25 de junho), enquanto o Ibovespa teve queda de 5,20% no mesmo período. Os dados podem sugerir que fugir das ações mais óbvias pode ser um bom caminho para obter retornos no mercado de ações neste momento de crise. No entanto, mesmo aparecendo como alternativa, as small caps são investimentos arriscados e não são indicadas para investidores iniciantes e aversos a riscos.
Small cap é uma abreviação de small capitalization, que significa baixa capitalização. Como a expressão indica, são as empresas menos negociadas em bolsa, cujo valor de mercado é inferior a 5 bilhões de reais.
São dois os principais motivos que tornam estas ações mais arriscadas: são papéis que têm menor procura e, mesmo valorizados, podem chegar a passar dias sem ser negociados; e como possuem baixo valor – alguns papéis não custam mais que 1 real -, são muito instáveis e suscetíveis a movimentos especulativos. Um único investidor, ao comprar um grande volume de ações, pode gerar uma valorização de 50% do papel em apenas um dia, e o inverso também pode ocorrer, gerando uma queda abrupta no dia seguinte.
As small caps têm se destacado nos últimos meses principalmente pelo fato de a maioria das empresas ser voltada para o mercado interno, o que favorece os resultados diante da ampla oferta interna de crédito e as mantém alheias à crise no cenário internacional. “O investidor que quer comprar um setor específico no Brasil - farmácia, consumo - encontra isso no universo de small caps. Hoje este é o meio de comprar os setores que estão 'na moda' no país”, explica Lucas Tambellini, estrategista para pessoa física e analista da corretora Itaú BBA.
As blue chips, empresas mais negociadas da Bolsa e que compõem o Ibovespa, por sua vez, são companhias de grande porte, muitas delas ligadas ao mercado externo e produtoras de commodities. Por isso, têm sofrido com o pessimismo do mercado global. Aproximadamente 40% do Ibovespa é composto por empresas do setor de mineração, siderurgia e petróleo, e apenas Vale e Petrobras representam um peso de aproximadamente 23% no índice.
O professor de finanças da FGV, César Caselani, explica que o cenário de crise obriga os investidores a afastar o foco das blue chips, e força um trabalho de “garimpagem” de ações que tragam retornos. “Não é mais um momento de investir nas blue chips e só esperar o dinheiro, sem se preocupar com o desempenho da empresa. Hoje não tem mais vida fácil no mercado financeiro”, diz.
O que ponderar antes de investir
Primeiramente, o investidor deve entender que, apesar do retorno positivo no ano, rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro. Por isso, a aplicação vale apenas se o investidor estiver consciente de que as small caps são ações mais arriscadas. “É um investimento para os mais arrojados. Apesar dos bons resultados do ano, são empresas menos consolidadas, que podem correr mais riscos de ter prejuízos do que as grandes”, afirma Caselani.
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