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O sobe-e-desce também foi visto nos resultados. O Ebitda, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações, foi de cerca de 33 bilhões de reais em 2007 e 35 bilhões de reais em 2008, amargando uma queda brusca em 2009, para 18 bilhões de reais. Em 2010, houve uma significativa recuperação, com Ebitda chegando a 46 bilhões de reais ao final do ano. Em 2011, com Ebitda de 57 bilhões de reais, a Vale registrou lucro líquido recorde, de quase 38 bilhões de reais.
Para Victor Penna, analista de mineração do BB Investimentos, a ação da Vale hoje está descontada em relação a seus pares mundiais, como BHP, Rio Tinto e Xtrata. “Nós sempre consideramos a Vale uma top pick em mineração. A crise não deixa de ser preocupante, por conta do risco de volatilidade. E agora, o mercado avalia a ação em meio a incertezas, à medida que vão saindo os dados econômicos. Nossa recomendação, porém, é de compra, mas sempre com cautela”, diz Penna, para quem o preço das ações preferenciais pode chegar a 56,30 reais ao final de 2012.
Sobrevivência: precificação do minério e gestão bem sucedida
Nos últimos anos, dois fatores tiveram impacto bastante positivo nos papéis da Vale. Um deles foi a mudança no sistema de precificação do minério de ferro, antes feito anualmente, depois trimestralmente, e hoje com base no preço à vista do mercado spot, devido à alta volatilidade nos preços da commodity. A mudança para fechar contratos de curto prazo foi estabelecida após o início da crise, quando muitas siderúrgicas, principalmente chinesas, romperam os contratos anuais para se beneficiar da queda no preço do minério.
Acontece que em 2010, o minério, que antes estava na casa dos 60 ou 70 dólares por tonelada, ultrapassou os 150 dólares. Segundo Victor Penna, do BB Investimentos, dificilmente a commodity vai cair abaixo dos 120 dólares por ora. Essa alta acabou beneficiando a Vale, que hoje em dia consegue absorver a volatilidade do preço do metal quase que em tempo real.
Outro fator que teve impacto positivo no desempenho da empresa e de suas ações foi a transição bem sucedida da presidência das mãos de Roger Agnelli para as de Murilo Ferreira. Agnelli era um executivo aplaudido pelo mercado, e a perspectiva de sua saída causou temor: havia a crença na possibilidade de o novo gestor ser mais alinhado a interesses de governo do que ao desempenho da companhia, privilegiando atividades política e socialmente estratégicas em detrimento da rentabilidade.
Contudo, Murilo Ferreira tem provado que assumiu a Vale compromissado com os interesses dos acionistas e com os negócios principais da companhia. Enquanto a estratégia da gestão de Agnelli era expandir a atuação da Vale e diversificar o portfólio, Ferreira tem focado a atuação da empresa em suas atividades principais, desfazendo-se de ativos menos rentáveis, como a venda da participação em uma unidade de caulim ou o desinvestimento em áreas de exploração de petróleo e gás.
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