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Em 5 anos | 10/07/2012 14:50

Ação da Vale supera Petrobras no longo prazo

Apesar do desempenho baixo, papel da mineradora sobrevive à crise e ainda é um bom negócio, dizem analistas

ARQUIVO/DIVULGAÇÃO

Jazida de ferro na mina de Gongo Soco, da Vale

Exploração de minério de ferro: a Vale agora dá mais ênfase a seus negócios principais

São Paulo – Apesar de a crise internacional ter penalizado principalmente o setor de commodities na Bolsa brasileira, a Vale, cujas ações estão entre as mais negociadas do país, não deixou seus investidores no prejuízo nos últimos cinco anos. Ao contrário do que ocorreu com a Petrobras, cujas ações caíram 5,5%, a mineradora viu suas ações preferenciais (VALE5) valorizarem no período, acumulando alta de 23,73%.

A valorização, porém, foi modesta perante o CDI, taxa de juros que baliza as aplicações em renda fixa. No período considerado, entre 6 de julho de 2007 e 6 de julho de 2012, o CDI foi de 66,76%. Ou seja, quem comprou ações da Vale há cinco anos e as vendeu na última sexta-feira não perdeu dinheiro, mas deixou de ganhar na renda fixa. Num prazo mais longo, porém, os papéis preferenciais da Vale batem o CDI com folga. Nos últimos dez anos, foi uma alta de 870,31% contra 279,25% do CDI.

“Nos últimos dez anos a Vale apresentou um portfólio amplo, em diversas frentes. Não vi a empresa acomodada em relação ao negócio da mineração, pois sempre houve investimento em novos projetos, inclusive fora do país. Não apenas em minério de ferro, mas também em carvão, níquel e cobre. Acho que a Vale continua com essa identidade de nunca estar na zona de conforto”, diz Juliano Navarro, analista de mineração da BES Securities.

Segundo analistas da área de mineração, o que fez a ação da Vale sobreviver em meio à crise foi a combinação entre o crescimento da China – que continua significativo mesmo depois de começar a arrefecer –, a escalada dos preços do minério de ferro e as mudanças no sistema de precificação da commodity. Tudo isso veio se juntar a uma bem-sucedida mudança de gestão que, antes temida, acabou por tranquilizar o mercado quando a Vale passou a focar mais nos seus negócios principais.

Para os analistas ouvidos por EXAME.com, contudo, essa alta de 23% foi modesta, e a ação da Vale está barata frente às suas boas perspectivas, como o robusto plano de investimentos focados nas atividades principais da companhia. “Embora não haja uma correlação perfeita, nos últimos cinco anos o preço do minério subiu muito mais do que as ações do setor de mineração. No caso da Vale, o mercado tem dado mais atenção a variáveis de influência indireta e incerta sobre a empresa – como questões tributárias e de regulação do setor – do que aos fundamentos em si”, diz Juliano Navarro.

Segundo Navarro, enquanto a ação da Vale teve alta de 23% de 2007 para cá, o preço do minério de ferro cresceu 214% no período. Para ele, o preço justo da ação preferencial da Vale no momento atual seria de 53,60 reais, sendo que, no último pregão, o papel fechou a 39,88 reais.

A crise e o desempenho das ações

A crise internacional causou grande volatilidade nos papéis da Vale nos últimos cinco anos. Com bons resultados, inclusive para suas ações, em 2007, a companhia amargou seu maior tombo em 2008, quando seus papéis desvalorizaram quase 50%, arrastando o Ibovespa para baixo junto com a Petrobras. Em 2009, apesar dos maus resultados financeiros, houve uma recuperação nos preços das ações, com alta de cerca de 65%. E, desde então, entre altos e baixos, o papel vem se mantendo mais ou menos no mesmo patamar de preço.

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