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Ações | 18/06/2012 07:00

4 histórias de quem passou de perdedor a ganhador na Bolsa

Quatro histórias de traders que tiveram perdas de até 320.000 reais e ganhos de mais de 2 milhões de reais no mercado de ações

Depois de se dedicar aos estudos, em 2008 conseguiu conquistar o primeiro milhão com ações da Vale e com o aluguel de ações da Sadia, que ainda não tinha se fundido à Perdigão. O tomador do aluguel (arrendatário) aluga uma ação quando acredita na sua queda, pagando uma taxa ao dono do papel (doador). A ação é alugada com o objetivo de ser vendida por um valor e recomprada no vencimento do aluguel por um valor mais baixo.

Por exemplo, uma ação alugada a 100 reais, vendida pelo arrendatário durante o aluguel por 100 reais, que passe por uma queda e seja recomprada por 50 reais, resultaria em um lucro bruto de 50 reais. André não citou os valores exatos, mas diz que ganhou uma alta quantia ao alugar ações da Sadia, pouco antes de a empresa anunciar um prejuízo com uma operação em dólar, que levou à queda do valor do papel.

Em 2009, André montou a carteira com a qual segue até hoje e que considera ser a mais consistente de todas que já teve, composta, entre outras, por ações da Eztec, JHSF e Embraer. “Até então, eu não tinha visão de que se investia em longo prazo. Em 2008, aproveitei para alimentar a carteira de longo prazo”. Ele não revela detalhes do valor do seu patrimônio, mas conta que, pelo menos, já dobrou o seu primeiro milhão.

Lições

André diz que a sua maior lição foi ter aprendido que é muito difícil enriquecer no mercado de ações sozinho e que a melhor forma de compreender a flutuação do mercado é por meio da observação de seus riscos.

Aliakyn Pereira de Sá - Ex-gerente de vendas - perdeu 60% de tudo que tinha 

Aliakyn trabalhava como gerente de vendas e começou a investir no mercado de ações em 2005. No começo ele teve sucesso, mas em 2006 teve prejuízos ao investir em “micos” - papéis de pouca liquidez, geralmente baratos. “Eu não sabia nada e comprei a ação da Telebrás. Quando eu vi que ela estava subindo, ao invés de vender, eu comprei mais. Eu perdi 60% de tudo que eu tinha poupado na minha vida", recorda-se.

Ele passou então a frequentar fóruns e fez alguns cursos de análise gráfica. “Antes, eu tinha como referência só a cotação. Eu não entendia as tendências de alta e baixa”. Em 2008, assim como André e os outros sócios, ele recuperou seu prejuízo acompanhando ações da Vale e da Sadia. “A partir daí eu parei de operar micos, como ações da Telebrás - antes de ser reestatizada -, JB Duarte, Parmalat e Mundial”, conta.

Em 2009, Sá conseguiu acumular mais ganhos e montou uma carteira com ações da Rossi, LLX Logística, Vale e Petrobras. “Eu aprendi que a Bolsa na verdade é muito justa, na medida em que, com uma análise técnica, nós sabemos sempre quanto vamos perder. Em outra atividade, como um posto de combustível, eu não sei eu vou ter lucro, se eu tiver, de quanto vai ser e, principalmente, eu não sei qual é o meu risco”, diz.

Lições

Os papéis com menor liquidez e mais baratos da Bolsa, chamados de "micos" no jargão do mercado, são altamente especulativos, podendo ser bastante arriscados. Por terem valor de face reduzido, pequenas variações absolutas se traduzem em grandes ganhos ou perdas percentuais, e muitas vezes essas oscilações sequer têm motivos claros para ocorrer. Foi o que ocorreu no ano passado, quando os papéis da fabricante de tesouras, alicates, esmaltes e bombas hidráulicas Mundial foram os protagonistas de uma alta de 1.500% antes de começarem a despencar. O movimento anormal, conhecido como "bolha do alicate", chegou a se tornar alvo de investigação da Polícia Federal.

Aliakyn também diz que com as perdas ele entendeu que alguns investidores aprendem a ter bons resultados antes de outros, mas que é praticamente impossível ganhar no curtíssimo prazo, pois leva um certo tempo até que os resultados sejam mais consistentes. 

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