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Ações | 18/06/2012 07:00

4 histórias de quem passou de perdedor a ganhador na Bolsa

Quatro histórias de traders que tiveram perdas de até 320.000 reais e ganhos de mais de 2 milhões de reais no mercado de ações

Wikimedia Commons

Boeing da Varig

A mesma Varig rendeu lucros de 50.000 reais e perdas de 230.000 reais

São Paulo – Uma das principais diferenças entre um investidor experiente e um iniciante pode ser a quantidade de prejuízos já sofridos. Com certa frequência, analistas, traders e outros profissionais que atuam no mercado de ações dizem que as experiências negativas foram os seus melhores aprendizados e fatores determinantes para que atingissem um nível de maturidade para saber como lidar com as inconstâncias da Bolsa e ganhar com isso. 

EXAME.com conversou com quatro traders que compartilharam os principais erros e acertos de suas trajetórias, que vão de perdas de 320.000 reais até ganhos que superam a casa dos milhões. Os quatro deixaram suas principais ocupações para trabalhar como traders e hoje são sócios do Trade ao Vivo, ferramenta do Rico, home broker da corretora Octo Investimentos, que promove aulas ao vivo para investidores durante os pregões. 

I. R. L. - Ex-militar: prejuízo de 320.000 reais e ganho de 800.000 reais

Em 2000 I. R. L. era militar e foi apresentado ao mercado de ações por um major que investia na Bolsa. Interessado, ele passou a gerenciar junto ao major os recursos de um grupo de investidores formado por 20 militares. Os investimentos foram muito bem até que eles decidiram aplicar em ações da Varig, quando estavam a 1,64 real. Por engano, em vez de comprarem 1.000 ações, compraram 10.000, um investimento de 16.400 reais. Na época, por volta de 2004, a empresa passava por uma série de mudanças, quase se fundiu à TAM e e em uma semana os papéis chegaram a passar de 50 centavos a 9 reais. I.R.L. vendeu o papel a 7 reais e os 16.400 reais investidos viraram mais de 70.000 reais. “Foi um baita golpe de sorte”, diz.

Empolgado, I.R.L. tomou um empréstimo de mais de 400.000 reais que o banco lhe ofereceu, com o consenso do grupo, e investiu um total de 516.000 reais novamente em ações da Varig. O papel teve então uma forte queda - quando a Gol ultrapassou a empresa em participação no mercado - e foram perdidos 230.000 reais em apenas um dia. “Minhas primeiras lições na Bolsa: não se deve pegar dinheiro dos outros para investir. Você ganha da maneira errada e pode perder muito depois”, comenta.

Depois de perder os amigos por causa do prejuízo, no final de 2005 I.R.L. deixou o quartel e se dedicou a estudar o mercado de ações. Então, em 2006, sua mãe vendeu um imóvel de 400.000 reais e pediu ao filho que investisse o valor na Bolsa. “Eu perdi 320.000 reais com a compra de opções e fiquei só com 80.000 reais. Mesmo estudando, na prática alguma coisa sempre dava errado”, lembra.

Por causa da perda, ele parou de investir, mas insistiu nos estudos. Passou a investir com mais cautela e, em 2007, quando a Petrobras anunciou a descoberta do campo de Tupi, em um dia I.R.L. recebeu o dobro do que havia perdido, acumulando 800.000 reais. “O mercado me perdoou e eu tirei todo o peso das minhas costas. Depois disso, resgatei todo o dinheiro e o devolvi aos meus pais”, afirma.

Lições

Um investimento alavancado pode ter consequências tão drásticas quando o tamanho da sua alavancagem. Além disso, não é tão simples comprar ações na baixas e esperar para vendê-las em um momento de alta. Investir em ações envolve uma análise detalhada e acompanhamento constante. Se alguns movimentos, mesmo quando estudados, podem não ser compreendidos por especialistas, as chances são menores ainda para investidores iniciantes. Por isso, cada movimento deve ser muito bem pensado e no início é preferível optar por investimentos de menor risco.

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