A melhor forma de usar o 13 º salário

Aprenda a utilizar o reforço extra de caixa para colocar a vida financeira em dia

São Paulo – Presentes, ceia farta e férias. Quando o fim do ano se aproxima e traz consigo a tentação de gastança desenfreada, a chegada do 13º salário parece um alívio e tanto para a conta bancária. A primeira parcela do reforço extra de caixa deve ser depositada no próximo dia 30. Antes de se entusiasmar, no entanto, lembre-se que os especialistas em finanças são unânimes em um ponto: melhor do que planejar as despesas por vir, é quitar os compromissos que ficaram para trás.

Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), lembra que o ideal é priorizar o pagamento das dívidas, em especial aquelas que embutem maiores encargos, como a do cartão de crédito rotativo, com taxa média de 238,3% ao ano, e a do cheque especial, com juros de 137,3%.

É verdade que 57% dos brasileiros devem optar por essa alternativa na hora de usar o 13º, segundo pesquisa recente divulgada pela Anefac. Apesar do percentual abarcar mais da metade dos entrevistados, a intenção de acabar com as pendências diminuiu 10,9% em relação ao ano passado. Para Oliveira, a explicação está na melhora da economia. “Crescimento da renda e emprego contribuíram para melhorar o quadro do endividamento”, diz.

Para quem irá se livrar das pendências, a dica é entrar em contato com o banco ou a financeira e negociar o valor devido. O desconto para o consumidor que se propõe a saldar as dívidas de uma só vez pode chegar a 40%.


Reserva para o começo do ano

Se você está entre os que não têm débitos, é hora de pensar nos gastos que devem bater à porta no começo do ano: IPVA, IPTU, matrícula escolar, materiais e uniformes. Para o educador Mauro Calil, o mais sensato é ser previdente e guardar os recursos para o futuro. “Segure esse dinheiro e deixe investido na caderneta de poupança. O prazo é curto demais para qualquer outra coisa”, ensina.

Depois de reservar uma quantia para o pé de meia, vale a pena antecipar o pagamento de financiamentos em bancos, financeiras ou comércio. Isso porque de acordo com o artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor, os estabelecimentos são obrigados a retirar da dívida os juros embutidos nas parcelas que forem pagas antecipadamente.

Aumentando o patrimônio

Finalmente, quem já está com as finanças em dia fará um bom negócio ao aproveitar o caixa extra para incrementar a poupança. “Quem investe apenas o 13º ao longo de 30 anos, consegue manter o mesmo padrão de vida quando se aposenta”, afirma Mauro Calil. Para atingir o feito com o investimento em ações, é necessário buscar uma rentabilidade anual de 15%, com papéis de empresas que também distribuam dividendos de 3% ao ano. “Quem acompanhou o Ibovespa nas últimas décadas sabe que isso é factível. Além disso, blue chips pagam de 4% a 5% de dividendos, enquanto empresas do setor elétrico chegam a entregar impressionantes 11%”, explica.

Carlos Martins, autor do livro “Os Supersinais da Análise Técnica”, reitera que utilizar o 13º para comprar ações de companhias que distribuem bons dividendos é uma boa alternativa para quem quer fazer sua estreia na bolsa. “Empresas de telefonia, energia elétrica e gás já têm previsão de receita muito precisa. Por isso, distribuem o lucro de forma generosa”, diz. “E os dividendos são isentos de Imposto de Renda”, completa Martins. Além disso, investidores que aplicam diretamente via home broker não pagam IR sobre o ganho com a valorização dos papéis, contanto a soma de todas as ações vendidas em um único mês seja inferior a 20.000 reais.

Para os investidores pouco afeitos a investimentos em bolsa, os títulos públicos comprados via Tesouro Direto são uma boa opção em renda fixa. Já os investidores que preferem manter o dinheiro no banco devem ao menos colocá-lo na caderneta de poupança para obter um rendimento próximo ao dos fundos de renda fixa.