5 mitos e verdades sobre o investimento em letras de câmbio

Você sabe o que é letra de câmbio? Não, não tem nada a ver com dólar. Veja mitos e verdades sobre este investimento

São Paulo – Quando alguém fala em letras de câmbio (LCs), a primeira coisa que vem a sua mente é uma operação de dólar? Calma, você não está sozinho. Apesar de serem um produto financeiro relativamente antigo, elas ainda geram muitas dúvidas em pequenos investidores.

“São primas dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários)”, diz Marcia Dessen, diretora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). “Ambos funcionam praticamente da mesma forma, a diferença é que os CDBs são emitidos por bancos e as LCs por financeiras”, completa. É uma maneira de as instituições captarem recursos para poder emprestá-los depois, cobrando juros.

“As LCs eram bastante usadas décadas atrás, quando as financeiras emitiam esses papéis em troca de dívidas das pessoas para pagar fogão e geladeira, que eram itens muito caros”, explica William Eid, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas). “Por isso o nome do produto leva a palavra câmbio, representando a troca de uma coisa por outra.”

Diferente dos CDBs, que não precisam de lastro, as financeiras só conseguem emitir as letras de câmbio caso tenham volumes de empréstimos correspondentes que possam servir como garantia. Veja abaixo cinco mitos e verdades sobre o investimento em LCs.

MITO: São mais arriscadas que os CDBs

Tanto as LCs quanto os CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja, o risco é zero para quem aplica até 250 mil reais —limite válido por instituição e por CPF.

Mas é preciso considerar que, caso a financeira quebre e dê o calote nos investidores, você pode demorar alguns meses até que consiga reaver seu dinheiro, deixando de lucrar com a aplicação em outros produtos durante esse tempo.

E, como as financeiras são instituições menores do que os bancos, a chance de um calote acontecer também pode ser maior.

VERDADE: A remuneração pode ser maior que a de um CDB

Sim, se procurar, você vai encontrar LCs que pagam 110%, 115% ou até 120% da taxa DI (CDI) —um rendimento melhor do que muitos CDBs no mercado. Mas isso vai variar de acordo com a quantidade de dinheiro investido e o prazo dos papéis, por exemplo.

Segundo o consultor financeiro André Massaro, o retorno das LCs costuma ser maior porque as financeiras têm de encontrar uma forma de atrair o público dos bancos, o que justifica o prêmio.

“As financeiras, no geral, são menos visíveis do que os bancos. As pessoas enxergam as financeiras muito mais como um lugar para pegar dinheiro do que para investir”, diz o consultor.

MITO: Têm uma alíquota de Imposto de Renda maior

Por serem um produto emitido por financeiras, algumas pessoas acabam pensando que a alíquota de Imposto de Renda para quem aplica em LCs é maior. Isso é um mito.

Na verdade, as LCs são tributadas pela tabela regressiva de IR. Ou seja, para resgates em até 180 dias, a alíquota é de 22,5%; de 181 dias a 360 dias cai para 20%; de 361 dias a 720 dias vai a 17,5%; e acima de 721 dias é aplicada a menor taxa, de 15%.

VERDADE: É preciso garimpar as opções disponíveis

Como não são emitidas por bancos, seu gerente nunca vai oferecer letras de câmbio como alternativa de investimento. Logo, se você quiser encontrar boas opções de papéis, terá que procurar.

“As LCs já são produtos comuns nas prateleiras de grandes corretoras de valores independentes, mas, ainda assim, o cliente precisa tomar a iniciativa de procurar uma corretora para encontrar os papéis”, diz Massaro.

Também é possível se informar diretamente nas financeiras sobre as LCs. Mas, como as corretoras também oferecem serviço de consultoria financeira, talvez elas sejam sua melhor opção. Assim, você terá ajuda de um profissional para escolher o papel que melhor atende aos seus objetivos.

MITO: As LCs sempre têm liquidez

Apesar de ter boa remuneração e proteção do FGC, uma desvantagem das LCs é que elas podem ter pouca liquidez, dependendo do prazo dos papéis.

Isso significa que, se você quiser vender sua letra de câmbio antes do vencimento, corre o risco de não encontrar alguém disposto a comprá-la.

Já os CDBs, que são emitidos em maior quantidade e têm um banco por trás, costumam ter mais facilidade de negociação no mercado secundário —onde há a troca de propriedade dos papéis entre investidores.