No segundo semestre de 2014, entraram no ar no país três plataformas de equity crowdfunding — ferramentas online de financiamento coletivo em que os investidores compram pequenas participações societárias em startups.

Com 1 000 reais já é possível comprar participação em alguma empresa. “Queremos aproximar os empreendedores que precisam de investimentos de gente que tem dinheiro, disposição e conhece os riscos, mas não quer estar envolvida juridicamente com um negócio iniciante”, diz Frederico ­Rizzo, fundador do Broota, de São Paulo, uma dessas plataformas.

O processo é relativamente simples. As empresas interessadas em captar dinheiro precisam estar formalmente instaladas no Brasil e ter um faturamento bruto anual de até 3,6 milhões de reais. Os empreendedores devem então fazer uma apresentação formal sobre seu plano de negócios — ou ­pitch —, que fica disponível para consulta nos sites das plataformas de equity crowdfunding, e o valor mínimo para investimento costuma ser 1 000 reais.

A partir daí, a plataforma envia a todos os cadastrados um aviso sobre a nova opção de aporte. Quando colocam dinheiro em uma startup, os investidores recebem em troca um título de dívida conversível. Na prática, esse instrumento faz do investidor o credor de uma dívida, com a opção de transformá-la em participação acionária na empresa. 

Foi depois de se cadastrar em uma dessas plataformas que o engenheiro de produção mecânica André Ota, de 29 anos, de Florianópolis, decidiu participar. “Sempre procurei diversificar meus investimentos”, diz André. Antes, ele distribuía suas aplicações entre poupança, CDI e bolsa de valores.

Mas acabou desistindo da bolsa porque não conseguia acompanhar de perto as mudanças do mercado. “Achei o crowdfunding interessante porque é uma oportunidade de incentivar boas ideias sem precisar dedicar tanta atenção”, afirma.

Ele aplicou o valor mínimo, de 1 000 reais, mas acionou toda a sua rede de contatos para apoiar a startup em que investiu. O risco do equity crowdfunding é semelhante ao do mercado de ações. “Trata-se de um investimento em que você pode perder todo o seu dinheiro”, diz João Falcão, um dos fundadores do EuSócio, plataforma de equity crowd­funding do Rio de Janeiro, que se candidatou e aguarda aprovação da Comissão de Valores Mobiliá­rios para operar — e diz já ter reunido 1 800 interessados em aplicar. “Não é opção para quem está economizando para comprar um apartamento.”

Risco e propósito

Apesar de suas particularidades, o modelo de negócios das plataformas brasileiras (Broota, EuSócio e Startmeup) é bem parecido. Elas ganham porcentagens que variam de 5% a 10% sobre os valores arrecadados para cada startup. Os representantes das três também têm opinião semelhante sobre o propósito da plataforma.

Para João Falcão, do EuSócio, essa é uma forma de ligar investidores com capital disponível e empreen­dedores que precisam dele, mas ficam longe dos grandes centros e das incubadoras. “O empresário pode focar o desenvolvimento de seu produto ou serviço e não precisa mais perder tempo e dinheiro convidando possíveis apoiadores para almoçar ou viajar para convencer as pessoas a apostar em seu negócio”, afirma João.

Fabio Silva, fundador da Startmeup, de São Paulo, aponta outras vantagens para quem se inscreve em uma plataforma dessas. “Em vez de ter um investidor ajudando, ele pode ter 30, colocando o networking à disposição e advogando pelo negócio”, diz Fabio.

Do ponto de vista do investidor, há o perigo de a empresa fechar as portas e a aplicação não ter retorno. Para reduzir esse risco, o Broota incluiu nas captações a figura do investi­dor-âncora.

No caso da TimoKids, por exemplo, ele é Gilberto Almeida Gonçalves, ex-diretor estatutário do Morgan Stanley e hoje investidor profissional. “O âncora é uma pessoa que vai atuar como um representante daqueles 50 ou mais microinvestidores e vai trabalhar como um mentor para o novo empresário”, afirma Gilberto.

Ele também funciona como atração para outros interessados. “Um âncora conhecido ajuda a dar confiança aos indecisos”, diz Fabiany Lima, sócia da TimoKids, que busca captar 200 000 reais pela plataforma. Tomando alguns cuidados, você pode se candidatar a ser o feliz investidor do próximo Facebook.

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