São Paulo - Na Europa do final do século 19, o ainda jovem italiano Vilfredo Federico Damaso Pareto nutria um fascínio por questões ligadas ao poder e à riqueza. Como as pessoas faziam fortuna ou ganhavam poder? Como a riqueza era distribuída na sociedade?

Aos 40 anos, já formado engenheiro civil, Pareto resolveu se dedicar seriamente a responder a essas questões, enveredando para a economia.

Em 1906, constatou que apenas 20% da população da Itália tinha 80% das propriedades. Também verificou que 20% dos pés de ervilha de seu jardim davam 80% das ervilhas. Por meio de muitas observações semelhantes, análises e cálculos, formulou as bases do que, alguns anos depois, seria batizado de Princípio de Pareto, ou Princípio 80/20.

“É a observação de que um número pequeno de eventos gera a maioria dos efeitos”, afirma o inglês Richard Koch, autor do livro Os Segredos do Gerente 80/20, lançado em maio pela editora Objetiva. “Poucas coisas realmente importam, mas as que importam fazem muita diferença.

”A consciência do desequilíbrio é algo pouco natural para o homem. Em geral, pensamos em distribuir as coisas de maneira uniforme. A teoria de Pareto mostra que a assimetria predomina no mundo e que é importante considerá-la nas análises. “Depois que descobrimos o quão desequilibrado é o nosso mundo, podemos passar a tirar vantagem dele”, diz Koch.

O universo dos negócios e do trabalho também não escapa da regra do 80/20. “Os gerentes pensam que todas as receitas geram lucros porque pensam na média.” Koch critica a maneira como as empresas lidam com os clientes.

“Uma das mais perigosas e idiotas, ainda que duradouras, suposições do mundo corporativo é a de que toda receita é valiosa e todas as fontes de receita têm mais ou menos a mesma importância. Elas não têm. Um cliente não é tão bom quanto outro. Um segmento não é tão bom quanto outro.”

No mundo do trabalho, o princípio tem a mesma força. A maioria dos gerentes opera no mundo das médias. O resultado? “A vida profissional conspira para corrermos atrás de inúmeros objetivos irrelevantes que gastam nossa energia sem nunca nos dar o que realmente queremos”, afirma Koch.

Em outras palavras, deveríamos descobrir o que realmente é importante e faz a diferença em nossas atividades em vez de distribuir a energia por todas as tarefas. Quem tem a percepção de como o princípio rege as relações de trabalho e dos negócios em geral trabalha melhor.

Não que todo mundo conheça a regra do 80/20, mas há pessoas que notam o desequilíbrio e, ao usar isso no dia a dia, conseguem priorizar e focar aquilo que realmente vai trazer os maiores resultados. O importante é encontrar sua combinação única de baixo esforço e alto resultado.

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