São Paulo - Em agosto, a previsão de crescimento da economia brasileira foi reduzida para 2,2%, revelou o boletim Focus, do Banco Central. Nem mesmo o alívio trazido pelo crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre foi suficiente para aumentar o otimismo dos economistas.

"Mesmo com a Copa do Mundo e a agenda de concessões do governo federal, há uma revisão do PIB para baixo", diz Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências. "Não só por causa de nosso cenário mas também por questões internacionais, como a política monetária americana", explica. 

A balança comercial brasileira teve em julho seu pior desempenho dos últimos 20 anos. O déficit de 1,9 bilhão de dólares foi causado principalmente pela baixa produção da Petrobras, que tem forçado o país a importar petróleo e derivados. Já a inflação, apesar da alta de mero 0,03% em julho, deve fechar 2013 em torno de 6%, quase 2 pontos percentuais acima da meta.

O quadro pessimista da economia já começa a afetar o ânimo dos empregadores, que reduziram o ritmo de contratações. As admissões formais caíram 21,2% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012, revela o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

"É um reflexo do fraco ritmo da atividade econômica. No ano que vem, temos eleições e uma incerteza política no ar. Tudo contribui para um cenário mais tenso, que faz com que a confiança de consumidores e empresários seja menor", diz Alessandra.

A indústria, um dos setores que mais recrutam mão de obra, registrou recuo de 0,7% nas contratações no primeiro semestre, apesar do
bom desempenho dos segmentos de bens de capital (máquinas, equipamentos e veículos pesados) e bens duráveis.

"O crescimento da produção de bens de capital foi resultado do programa do governo de IPI reduzido, da taxa de juro mais baixa e também da safra recorde de grãos", explica André Luiz Macedo, do IBGE.

No caso dos duráveis, foram os automóveis que garantiram o avanço. Mas as categorias bens intermediários (itens usados na
fabricação de outros produtos) e bens semi e não duráveis (como calçados, roupas e alimentos) não tiveram bons resultados. Juntas,
elas respondem por 80% da produção.

Saiba como esse quadro vai infuenciar as contratações e demissões no segundo semestre a seguir.  

As oportunidades e as armadilhas do segundo semestre

Confira o panorama do mercado de trabalho em alguns segmentos da economia

Óleo e gás

O momento: O setor está aquecido desde 2007, com a descoberta do pré-sal, transformando-se em uma das áreas que mais contratam e melhor remuneram. Com o déficit da Petrobras, o momento não é de grandes contratações, mas prevalece a demanda por mão de obra qualificada. Os salários seguem altos, mas devem se estabilizar.

Perspectivas: A 11ª rodada de licitações para exploração de petróleo e gás, realizada em maio, e a 12ª rodada, prevista para novembro, devem reaquecer o setor. 

Bens duráveis e de capital 

O momento: Cinco anos atrás, essa indústria contratou muito por causa do aquecimento da economia, alavancando os salários. A redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e da taxa de juro tem mantido esse segmento um pouco mais otimista.

Perspectivas: A abertura de novas fábricas pode gerar oportunidades. A Fiat vai ampliar a capacidade de produção em Betim (MG) e está construindo uma fábrica em Goiana (PE). Uma multinacional oriental irá se instalar em Limeira (SP).

Bens não duráveis

O momento: Assim como os outros segmentos da indústria, esse teve seu auge há cerca de cinco anos. O endividamento da população tem reduzido o consumo e o ritmo da produção. Como efeito, há menos vagas abertas. 

Perspectivas: Não se prevê um grande crescimento. Os investimentos feitos e anunciados por empresas de higiene pessoal e cosméticos podem se traduzir em oportunidades de trabalho para algumas carreiras, como engenharia, e para profissionais de tecnologia.

Comércio

O momento: A abertura de vagas teve seu auge em 2010, por causa do crédito fácil e do crescimento do consumo. O setor criou 16,7% menos oportunidades em 2012 do que no ano anterior, mas segue como o que mais emprega, depois de serviços. 

Perspectivas: O segundo semestre é apontado com otimismo por causa do 13º salário e das vendas de fim de ano. A expansão de algumas redes em novos mercados, como Cuiabá e Curitiba, deve abrir vagas. Há oportunidades em grandes magazines e no mercado de luxo.

Serviços

O momento: Apesar de estar em retração desde 2010, 2012 ainda fechou com um número maior de vagas que 2011. O endividamento das famílias e a inflação fazem com que os serviços fiquem em segundo plano. O impacto é grande porque ele é o setor que mais contrata no país.

Perspectivas: A Copa e os Jogos Olímpicos estão gerando vagas em diversas áreas no setor de serviços, mas muitos desses empregos devem desaparecer após a realização dos eventos. 

Construção Civil

O momento: Desde o auge dos lançamentos imobiliários, em 2010, o setor continua crescendo e contratando, mas num ritmo mais lento. Nos seis primeiros meses deste ano foram contratadas 116.000 pessoas. No mesmo período de 2012, foram quase 200.000.

Perspectivas: Apesar da velocidade da criação de empregos ter diminuído, os especialistas apostam na agenda de grandes obras do governo federal, que inclui rodovias e ferrovias. Também há espaço no setor imobiliário no interior.

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