São Paulo - Há 13 anos, o professor americano James Mohr, da Olympic College, de Washington, nos Estados Unidos, estuda as relações entre chefes e equipes.

Em uma pesquisa em que acompanhou gestores de projetos sociais, Mohr notou que alguns deles agiam de maneira aparentemente positiva e motivadora, mas, no fundo, visavam apenas o próprio sucesso, sem se importar com o time.

"Os bons comportamentos de liderança serviam apenas para conseguir ter legitimidade e fazer a equipe trabalhar mais", afirma Mohr. eram manipuladores vestindo fantasia de bom caráter. Os objetivos de chefes que adotam essas táticas são levar a fama, ganhar mais dinheiro e acumular poder.

Depois de analisar o comportamento de gestores, o professor americano listou algumas das estratégias da liderança do mal. Trata-se de um jogo de sedução, marginalização e ameaças, que, segundo Mohr, pode ocorrer em qualquer empresa. "O mau chefe está concentrado no poder."

1 Causas grandiosas

Para envolver as pessoas e se aproximar delas, o mau líder usa o discurso de que há uma causa maior para o trabalho. "Isso tem um efeito positivo rápido, pois todo mundo gosta de um propósito bonito", afirma Mohr.

Quando as pessoas compartilham de uma mesma visão, o comprometimento se fortalece. "O líder sabe que, se tiver uma meta sedutora, conseguirá ter todos na mão", diz Ricardo Barbosa, diretor da consultoria Innovia Training & Consulting, de São Paulo.

No fundo, aquela causa grandiosa é só uma fachada. O chefe canalha usa uma segunda armadilha na sequência: assim que conquista o engajamento de todos, ele cria a sensação de que as pessoas são indispensáveis. A partir desse ponto, fica fácil manipular a equipe.

2 Excesso de inspiração

O chefe perigoso é um tipo inteligente, que tem muito conhecimento e experiência. Ele parece ajudar a todos e é inspirador. "A equipe fica motivada porque ele está ali no meio de todos e diz que está no mesmo barco", diz Ricardo. Ao criar um clima de proximidade, o chefe ruim consegue manter as rédeas da equipe.

A boa relação esconde a centralização. "Em algum momento ocorre uma virada e ele deixa de oferecer ajuda, abandona a equipe e começa a cobrar resultado excessivamente", diz Mohr. A essa altura, a equipe tornou- se dependente. "Às vezes, a relação é tão forte que o liderado nem percebe que está sendo abusado", diz. A lição: por mais inspirador que um chefe possa parecer, não acredite cegamente nas palavras dele.

3 Respeito à força

Respeito e confiança são dois componentes de uma boa relação entre chefe e subordinado. O líder controlador exige as duas coisas, mas é incapaz de retribuir. "Ele não assume erros, por exemplo", diz o professor James Mohr. Com o tempo, a relação azeda e o chefe começa a se impor à força.

Se o profissional não encontra meios de informar à empresa, pode sofrer abusos, como ter seu trabalho escondido ou desqualificado. A saída é encontrar formas de contar a pessoas de outras áreas sobre seu trabalho e sobre quem, de fato, é o chefe canalha.

4 Eu tenho o poder

Os líderes do mal usam o discurso de que são abertos para que todos deem opinião. Mas a atitude é falsa. Ele ouve os outros apenas para legitimar seu poder e despreza a opinião alheia. "Ele fala e todos obedecem", diz Ricardo. Esse é o tipo de líder que não ajuda ninguém a crescer.  "Ele dura pouco, porque as pessoas logo desistem de trabalhar com ele", diz Ricardo.

5 Gestão pelo medo

Depois de criar uma causa, envolver a equipe e impor o poder, alguns líderes provocam medo em suas equipes para conseguir se legitimar. Um típico chefe que usa isso é aquele que diz que, se as metas não forem alcançadas, demissões podem ocorrer. Ou que, se tal projeto for bem-sucedido, todos serão promovidos — o que nunca acontecerá.

No final, todos são prejudicados e ele ganha os louros. É nesse item que surgem também os casos de assédio moral. Nesse ponto, é preciso cogitar fazer denúncias formais sobre a conduta desse gestor.

6 Isolamento total

Com o tempo, o líder ruim se distancia completamente da equipe. "Em uma relação de proximidade, fica difícil manter poder", diz Mohr. A consequência é que o líder acaba perdendo a legitimidade. A partir desse momento, o clima de trabalho vai piorar muito.  Os resultados da área vão começar a despencar.

Se o líder tiver muito destaque na empresa, talvez leve tempo até que alguém perceba que ele é o responsável. Se a coisa está nesse ponto, ficar no emprego é uma aposta arriscada. Mais seguro procurar um novo emprego: ainda que o mau chefe seja flagrado rapidamente, todo o departamento já herdou a má reputação dele.

Tópicos: Assédio moral, Chefes, Comportamento, Liderança, Gestão