São Paulo - O desenvolvimento do Brasil corre sobre rodas. Num país com um sistema de transportes ferroviário e fluvial limitado, os planos de elevar a produção agrícola e a industrial e fazê-las escoar até os centros consumidores passam necessariamente pela indústria de pneus.

O aumento da renda da população e a aquisição de um carro, um dos principais sonhos de consumo dos brasileiros, elevam a demanda por pneus, além de abarrotar as ruas das cidades e as estradas do país. Até mesmo quem quer adotar uma atitude mais sustentável, trocando carro por bicicleta, estimula essa indústria. 

A perspectiva para os próximos dez anos é que o país eleve sua frota de 200 para 900 veículos por 1.000 habitantes, média de países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Com isso, as empresas de pneus estão investindo pesado para aumentar a produção no Brasil e abocanhar uma fatia maior do mercado.

Uma das recém-chegadas ao país é a japonesa Sumitomo. Instalada no Paraná, a empresa está em período de testes e deve entrar
em pleno funcionamento em outubro, gerando 1.500 empregos diretos até 2017. Paralelamente, as fábricas da Bridgestone e da Continental em Camaçari, na Bahia, passam por ampliações previstas para ser concluídas em 2015 e 2016, respectivamente.

Só a Continental pretende contratar mais 400 pessoas nesse processo. A multinacional francesa Michelin, que atua no mercado brasileiro de pneus de caminhões, agora quer ampliar sua participação no segmento de carros de passeio. Para atingir esse objetivo, inaugurou em 2013 uma nova fábrica na cidade de Resende, no interior fuminense, que é voltada para esse segmento.

A empresa ampliou a planta de Itatiaia, no interior de São Paulo. "Em 2014, a fábrica de Resende estará no auge da produção", diz Marco Moretta, diretor comercial de pneus de passeio e caminhões na América do Sul.

A Michelin também investe na formação e contratação de novos profissionais. só no ano passado, foram abertas 700 vagas. Para
2013, a companhia prevê recrutar 500 pessoas para as áreas de marketing e vendas.

Renata Mota, de 28 anos, acaba de ser contratada para o setor de compras para as linhas de caminhonetes e turismo. "O desafio é
mostrar ao consumidor que pneus de qualidade são um pouco mais caros, mas são mais seguros", afirma.

O governo federal está dando uma forcinha para o segmento por meio do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores. A iniciativa determina que até 2017 as montadoras reduzam 13% das emissões de carbono dos veículos produzidos.

A norma é direcionada à indústria automotiva, mas atinge as fabricantes de pneus. Afinal, quem conseguir produzir produtos mais eficientes e sustentáveis será priorizado pelas montadoras. A Michelin, por exemplo, desenvolveu um novo pneu 10% mais resistente, que proporciona uma economia 2% maior de combustível. "Por isso, ampliamos nosso mercado e firmamos novas parcerias com montadoras como Peugeot, Citroën e Ford", diz Moretta, diretor comercial da Michelin.

Competição desleal apesar do otimismo, os fabricantes instalados no Brasil têm enfrentado difculdades. De 2010 a 2012, a produção nacional caiu 4,6 milhões de unidades por causa da concorrência de produtos importados que ainda não passam por uma certificação
de qualidade nos órgãos nacionais.

A gigante italiana Pirelli, que domina o mercado de pneus de carros de passeio no Brasil, ampliou em 2011 sua fábrica em feira de Santana, na Bahia, e contratou 90 empregados. 

Mas, com 50% de seu faturamento proveniente do mercado de reposição — ou seja, do consumidor que compra pneus novos para substituir aos antigos —, tem sofrido com a concorrência de produtos importados, não certifcados, com preços muito abaixo do mercado.

"Os importados são 30% mais baratos e chegaram a ter 40% do mercado de reposição em 2012", diz Paolo Dal Pino, presidente da Pirelli no Brasil. Os empresários que operam no país vêm pressionando o governo para entrar com medidas de controle contra os produtos chineses que entram no Brasil.

Apesar dos contratempos, a expectativa é que a indústria de veículos chegue a uma produção anual de 5 milhões de carros em quatro anos. Ou seja, vai haver emprego no setor.

Espera-se que outro segmento correlato, o de infraestrutura, também atente para o crescimento da frota de veículos.  Do contrário, não haverá estradas nem ruas para rodar com os pneus novos. 

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