São Paulo - Uma pesquisa feita pela consultoria PricewaterhouseCoopers com 4.000 jovens de 65 países traçou um retrato da geração de profissionais nascidos de 1980 a 2000. Ao ler as respostas desses novos executivos — que serão a maioria da força de trabalho no ano de 2020 —, penso que algumas questões deveriam ser muito bem estudadas pelas empresas que pretendem contar com esses
profissionais em seu quadro.

Chama a atenção, em particular, o fato de 70% dos entrevistados afirmarem ter aberto mão de alguma expectativa para conquistar o atual emprego. Que expectativas seriam essas? Como elas foram concebidas e em que realidade se baseiam? Uma razão talvez seja o desejo que essa geração sente de equilibrar vida pessoal e trabalho — uma perspectiva que acaba sendo frustrada pelo ritmo frenético do trabalho atual.

Outra projeção comum é a da carreira rápida. O texto que li de Eliza Albuquerque, consultora da PricewaterhouseCoopers, mostra
que 52% dos entrevistados definem como principal razão para ficar num emprego a possibilidade de progredir de forma rápida na carreira. Aqui entra em cena o conceito da porta estreita.

O caminho do crescimento profissional passa por uma porta de abertura diminuta. Nem todos passam por ela. Chegar ao outro lado exige uma estratégia definida e algumas táticas. A seleção natural da carreira pode ser cruel. Pela porta estreita, somente passam
aqueles que, além de se preparar, de entender o contexto da empresa e de saber fazer alianças e parcerias, adquirem a capacidade de reagir às frustrações.

A porta estreita lembra que a evolução da carreira não é cronológica. Ela é fundamentalmente contingencial. Por isso, é importante
ter o plano, para que não se percam no presente oportunidades relacionadas com o futuro. A porta estreita obriga as pessoas que por ela
passam a abaixar a cabeça. É uma metáfora da humildade.

Você precisará dela para ouvir os pares e os subordinados, perguntar sem saber a resposta, elogiar e ensinar. É estimulante saber que
a maioria dos profissionais considera a possibilidade de poder acelerar seu desenvolvimento pessoal o fator mais importante na escolha do lugar para trabalhar.

Esse desejo é que os fará lutar para crescer. Que esse propósito também permita a eles planejar os próximos passos e se preparar para enfrentar o difícil momento de atravessar a porta estreita.

Luiz Carlos Cabrera escreve sobre carreira. É professor da EAESP-FGV, diretor da AMROP Panelli e Motta Cabrera e membro do Advisory Board da AMROP International

Tópicos: Ascensão profissional, Comportamento, Conflitos profissionais