São Paulo - O mundo todo tem acompanhado com atenção os movimentos reivindicatórios que, como um rastilho de pólvora, acabaram tomando o país, do Oiapoque ao Chuí. E tudo o que foi reivindicado com bom senso e respeito foi ouvido com mais atenção e igual respeito pelas autoridades.

Infelizmente, também fomos obrigados a assistir com pesar a cenas de intolerância de policiais e manifestantes, vandalismo, depredação do patrimônio público e privado, que quase põem a perder toda legitimidade e nobreza dos movimentos populares.

Na vida corporativa vale o mesmo raciocínio. Por que será que alguns tantos pensam que é necessário jogar sujo, destruir o que foi feito por outros ou minimizar a importância de feitos e conquistas de terceiros para valorizar seu passe e dar mais brilho a suas conquistas e seus méritos?

Isso é deselegante, desnecessário e sempre tem efeito contrário. O brilhantismo da situação acaba ofuscado pela inadequação ou pela falta de princípios, usadas como mecanismo de promoção, não é mesmo?

O que mais frequentemente vejo acontecer é gente atribuindo à sorte resultados que são comprovadamente fruto do talento, da persistência e do profissionalismo da pessoa julgada por olhos envenenados pela dor de cotovelo ou pela inveja de colegas frustrados e nem sempre tão competentes quanto propagam ou fazem questão de apregoar aos quatro cantos da empresa.

Por que não ter a sabedoria e a humildade de citar o trabalho maior ou o inegável esforço e talento de um colega de time que o ajudou a chegar ao bom resultado alcançado?

Acho sempre elegante, adequado e apropriado, quando vejo uma empresa ou um departamento que celebra um feito ou uma conquista, se lembrar de citar e de agradecer o autor do feito. Ao referendar boas iniciativas, a empresa motiva outros empregados a fazer mais do que é esperado deles.

E essa observação vale para a iniciativa privada, para os órgãos públicos e para nossos governantes em geral. Protestar, reivindicar, reclamar sempre que isso se fizer necessário, mas sem barbarizar. Asseguro a você, caro leitor, que essa é uma máxima que pode ser aplicada a qualquer âmbito de nossa vida.

Quem brilha sempre sozinho é farol sinalizador de navegação, que quase sempre é instalado em alguma ilhota deserta e distante das cidades e das populações às quais ele serve como norte.

Célia Leão escreve sobre etiqueta corporativa. É autora de Boas Maneiras de A a Z e consultora de etiqueta empresarial.

Tópicos: Ambiente de trabalho, Ascensão profissional, Comportamento, Etiqueta no trabalho