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Brasil | 17/07/2013 00:00

Menos empregos? Então é hora de focar muito nos resultados

O baixo desempenho da economia pode ameaçar a geração de empregos no segundo semestre. Para quem está empregado, é hora de manter o foco no resultado

Empresas como a varejista Magazine Luiza, a fabricante de roupas Hering e a construtora MRV estão entre as que eliminaram a remuneração variável de curto prazo, paga neste ano e referente a 2012, dos profissionais da diretoria, segundo a Comissão de Valores Mobiliários.

Nas empresas cujas receitas dependem do mercado externo, a situação é ainda mais complicada. O mercado internacional não vai bem e não estimula as exportações. Isso acontece ao mesmo tempo que, por aqui, o real se desvaloriza e o mercado interno, que vinha servindo de salvação para a economia por meio de pacotes de desoneração de impostos, já diminuiu o ritmo de consumo.

São dados que confirmam a percepção do brasileiro de que o mercado de trabalho está se deteriorando. Mas nem todo empregado percebe esse cenário da mesma forma. Quem vive a pior situação é o trabalhador da indústria.

Nos últimos anos, esse profissional teve aumentos sucessivos de salário, pois o setor industrial precisava reter seus bons funcionários, que estavam sendo sondados por empregadores do setor de serviços. Só que agora o empregador está exigindo retorno dos investimentos que fez em remuneração e treinamento.

"Mesmo com os investimentos, não melhoramos a qualificação da mão de obra nem a produtividade. Ainda assim, os salários continuam aumentando. Esse quadro está estrangulando o crescimento industrial do país como um todo", afirma Mark Bowden, diretor-geral da empresa global de recrutamento Hays para a América Latina. Com isso, sobe o custo de produção, que torna a indústria nacional menos competitiva.

Desde 2010, o custo unitário do trabalho se elevou 15% no Brasil, uma despesa que não pode ser repassada ao consumidor por causa da concorrência dos importados. Com sua margem de lucro comprometida, a indústria brasileira não cresce, como os números demonstram há meses.

Risco de inflação

As políticas de incentivo ao consumo, de que o governo veio lançando mão até agora para aquecer a economia, aumentaram ainda mais a pressão de demanda e a inflação. Enquanto isso, com a recuperação da economia americana e a desaceleração da China — grande importadora de matérias-primas brasileiras —, o real se desvaloriza diante do dólar.

Com a moeda valendo menos, a tendência é de alta dos preços, como forma de manter a margem de lucro. Calcula-se que cada aumento de 10% na taxa de câmbio repercuta de 0,3 a 0,5 ponto percentual na inflação anual. Para controlar essa tendência, o Banco Central (BC) reage aumentando a taxa de juro.

Como efeito, freia-se o crescimento industrial e da economia como um todo. Daí o mesmo BC ter rebaixado para 2,7% a expectativa de crescimento da economia para este ano, ante previsão de 3,1% feita em março. Para quem está empregado, a recomendação é manter o foco na meta de sua área e dar o melhor de si. Os empregadores e profissionais de RH tendem a valorizar — e até a recompensar — os funcionários com melhor desempenho, mesmo em tempos de vacas magras. Em momentos difíceis, os bons valem ainda mais.

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