São Paulo - Quando uma sirene toca na Embraer, multinacional brasileira fabricante de aviões, com sede em São José dos Campos (SP), os funcionários saem apressados em direção à pista de pouso e decolagem, onde já estão bombeiros, fotógrafos e cinegrafistas.

Longe de sinalizar um acidente, essa dinâmica faz parte de um conhecido ritual da empresa: o de convidar todo mundo para ver o voo inaugural de uma aeronave. De volta ao solo, os tripulantes são recepcionados com jatos de água e aplausos, para simbolizar que, depois de tanto trabalho, é hora de lavar a alma e comemorar a iniciativa bem-sucedida.

Em 27 de novembro de 2012, a estrela na pista foi o revolucionário jato Legacy 500, projetado para tornar a Embraer líder no segmento executivo, resultado de seis anos de trabalho, 2.500 horas de testes iniciais e 750 milhões de reais de investimentos. Teve gente que chorou.

"Um pedaço do trabalho de cada um está lá, não importa se você é engenheiro ou se cuidou da papelada para viabilizar o negócio", diz um funcionário.

A identificação dos jovens com a companhia chama a atenção. O turnover entre eles, de apenas 4,87%, é o mais baixo de todas as empresas desta edição do guia — a média é de 30,6%. Parte disso pode ser explicada pelo fascínio que aviões exercem sobre a maioria. Mas o que pesa no dia a dia, afirma o grupo, são mesmo as oportunidades concretas de desenvolvimento.

Todos têm acesso ao chamado Plano de Voo, disponível na intranet, com indicações das trilhas de carreira possíveis, das competências necessárias para cada função e dos cursos recomendados, incluindo um guia de autodesenvolvimento. Em 2012, foram investidos 9 milhões de reais em treinamento.

Mesmo não sendo uma empresa de maioria jovem — menos de 10% do quadro tem entre 18 e 26 anos —, a Embraer tem uma forte cultura de qualificação desse público. Um destaque é o investimento na capacitação de engenheiros e técnicos recém-formados.

No ano passado, foi criado o Programa Projetista Embraer, um curso de extensão de 12 meses — seis deles destinados a estágio — para quem estudou mecânica, mecatrônica, projetos, elétrica, eletrônica ou telecomunicações. Dessa primeira turma, 97,5% dos participantes foram efetivados.

Já o Programa de Especialização em Engenharia, que oferece titulação de mestrado em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), formou mais de 1.200 profissionais em 11 anos de existência. “A régua de qualidade aqui é alta. Por isso, nos posicionamos como parceiros na evolução dos profissionais”, afirma Daniela Sena Bettini, diretora corporativa de recursos humanos.

O aprendizado continua fora das salas de estudo porque multiplicar conhecimento faz parte da rotina. Além de mentoring para o pessoal da engenharia, há um programa para incentivar os funcionários a se tornar instrutores internos. Hoje, são mais de 700 voluntários.

"Temos contato com profissionais experientes, que são os melhores do país em sua área. Isso é um privilégio", diz um jovem. por Marcia Kedouk, de São José dos Campos (SP)

Ponto(s) positivo(s) Ponto(s) negativo(s)
Só em 2012, o programa de incentivo à inovação premiou autores de 7.211 ideias. Mesmo longe da aposentadoria, jovens são incentivados a ter visão de futuro e a planejar a realização das ambições pessoais. A carga de trabalho é considerada alta e a burocracia dificulta a tomada rápida de decisão. O ambiente de trabalho poderia ser mais jovem, com mobiliário moderno e espaços descontraídos para a convivência

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