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Globalização | 01/11/2012 08:00

Os estereótipos são um perigo no trabalho globalizado

O alemão Sebastian Reiche, especialista em multiculturalismo e professor da escola espanhola de negócios Iese, explica por que deve-se evitar generalizações ao conviver com profissionais estrangeiros

Fernanda Kalena, da

Divulgação

Sebastian Reiche, do Iese

Sebastian Reiche, do Iese: a falta de compreensão pode causar grandes prejuízos

São Paulo - Trabalhar com pessoas de outras nacionalidades tornou-se algo comum para os brasileiros. Nos últimos três anos, o Ministério do Trabalho concedeu cerca de 168 000 autorizações para estrangeiros exercerem atividades profissionais no país. São pessoas fugindo da crise nos Estados Unidos e na Europa, expatriados por multinacionais e empreendedores que veem o Brasil como nova promessa da economia mundial.

O profissional local também está tendo experiências no exterior, principalmente graças à expansão das múltis brasileiras, como Gerdau, Stefanini e JBS, que pretendem crescer nos países em que já atuam e abrir novos mercados, conforme aponta o ranking da transnacionais brasileiras, da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.

Esses movimentos têm em comum uma multiplicação das interações entre profissionais brasileiros e estrangeiros. Nesses contatos, o fator cultural é fundamental para estabelecer relações eficientes. “Mal-entendidos acontecem até mesmo entre pessoas da mesma cultura e que falam a mesma língua”, diz o alemão Sebastian Reiche, especialista em multiculturalismo nas empresas e professor da escola espanhola de negócios Iese, que tem filial em São Paulo.

“Se nós adicionarmos culturas diferentes, tudo fica mais complexo.” Sebastian esteve no Brasil em setembro e deu entrevista à VOCÊ S/A. 

VOCÊ S/A - Por que as diferenças culturais se tornaram tão importantes no ambiente de trabalho?

Sebastian Reiche - Um problema de falta de compreensão ou uma interpretação errada podem causar grandes transtornos. Mal-entendidos acontecem até entre pessoas que falam a mesma língua e pertencem ao mesmo grupo social. Se adicionarmos diferenças culturais, tudo fica mais complexo.

O grande problema é que temos uma tendência a estereotipar as pessoas. São tantas as informações que, na tentativa de encontrar um modo mais fácil de compreendê-las, usamos o recurso de categorizar as coisas por meio de padrões que dominamos. Mas, quando lidamos com indivíduos de grupos culturais diferentes, algo comum no trabalho globalizado, não podemos confiar em nossos estereótipos. 

VOCÊ S/A - Por que os estereótipos são perigosos?

Sebastian Reiche - Porque a tendência, quando não compreendemos o comportamento de um estrangeiro, é estereotipar de maneira negativa. É preciso sensibilidade no julgamento. Um bom jeito de ilustrar isso são os diferentes jeitos de dizer “não”. Sabemos que em algumas culturas não se diz “não” diretamente. A pessoa pode falar para você “vai ser bastante difícil, mas eu vou tentar”, querendo dizer um “não” mais cordial. Mas, se for interpretado ao pé da letra, será entendido erroneamente. 

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