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Criatividade | 27/07/2012 15:19

Carreiras criativas: a invenção de um mercado

A indústria criativa cresce no Brasil e consolida-se como opção de carreira. Os desafios do setor: o preconceito dos clientes e o amadorismo da concorrência

Duda Porto de Souza, da

Ricardo Benichio/EXAME.com

Rafaela Vinotti, designer gráfica

Rafaela Vinotti, designer gráfica: "[...] a área de arte e design não é levada a sério pelos empresários e, muitas vezes, pelos próprios profissionais"

São Paulo - Expressão um tanto fora de moda, “fazer arte” é uma maneira de dizer que uma criança aprontou alguma travessura. Hoje, porém, a frase não tem nada de infantil. Para milhares de profissionais brasileiros, arte é trabalho sério. 

As carreiras criativas — moda, design, teatro, música, arquitetura, produção audiovisual, entre outras — já oferecem oportunidade de emprego e renda para muita gente e vêm se consolidando como uma opção viável para quem sempre desejou largar o trabalho de escritório e explorar seu potencial inventivo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o crescimento anual do mercadocriativo deve girar de 10% a 20% nos próximos anos em todo o mundo. 

O Brasil tem como se beneficiar desse movimento, apontam profissionais da área, mas é necessário abandonar o amadorismo e o preconceito, passando a tratar criatividade como negócio de gente grande.

“Estamos vivendo um momento crucial na história da humanidade, que é a revisão dos modelos de vida, e isso não se dará somente por meio de novas tecnologias, mas principalmente por meio da criatividade”, diz a estilista Karla Girotto, de São Paulo.

Segundo a Secretaria da Economia Criativa (SEC), criada no ano passado pelo governo Dilma, a indústria criativa no Brasil teve, em 2010, um faturamento de 104 bilhões de reais, o equivalente a 2,84% do Produto Interno Bruto (PIB), superando, por exemplo, a indústria extrativa, que gerou 78 bilhões de reais. Há 63 000 empresas nesse setor, o que corresponde apenas a 1,86% do total de firmas existentes no país. 

O número médio de empregados por CNPJ, nessa área, é de 13,7 — o que indica que as oportunidades de trabalho estão em sua maioria em empreendimentos de pequeno porte. 

Um estudo feito pela prefeitura de São Paulo mostra que, entre 2006 e 2009, a taxa média anual de crescimento do emprego formal na indústria criativa chegou a 8,3% no estado de São Paulo e a 9,1% na capital paulista. A participação do emprego criativo formal no total de vagas no Brasil é de 5,5%, chegando a 6,4% na cidade de São Paulo, onde a demanda por esse tipo de serviço é maior.

Considerando que existe muita informalidade associada a essas atividades, é aceitável imaginar que haja mais pessoas trabalhando no ramo. Fazer carreira nessa área, no entanto, continua sendo uma tarefa tão complexa quanto incerta.

"Infelizmente, precisamos educar o mercado, além de trabalhar", diz a designer gráfica Rafaela Vinotti, de 29 anos, dona de seu próprio estúdio, pelo qual já atendeu clientes como Natura, Nokia, Colgate-Palmolive e Sebrae.

Um dos problemas para a indústria criativa brasileira é que grandes empresas ainda evitam trabalhar com pequenos empreendimentos criativos por receio de não receber um atendimento adequado. Isso acaba retardando a profissionalização do setor.

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