“O velho PC está morto”

Para o vice-presidente de computação pessoal da HP, as novas máquinas estão revolucionando a forma como o conteúdo é consumido

Segundo o americano Todd Bradley, líder da área de computadores pessoais da HP, a era da informação fez com que os consumidores estabelecessem novas prioridades ao lidar com a tecnologia. Para ele, as novas máquinas são centros de mídia que também vão revolucionar o consumo de conteúdo.

1) Muitos especialistas dizem que o PC da forma como o conhecemos décadas atrás, uma máquina para processar informação, simplesmente morreu. O senhor concorda com essa afirmação?

Sim. A massificação da computação pessoal, no início dos anos 80, mostrou que os PCs tinham de ser funcionais, não precisavam ser elegantes nem trazer algo além do básico. Mas esse era apenas o início. Ao longo dos anos, os valores dos consumidores mudaram e a indústria precisou evoluir para atender às novas demandas.

2) O que o usuário espera dessa nova fase dos PCs?

Hoje o consumidor quer um aparelho para entretenimento mais sofisticado, com tela grande e sensível ao toque. É essa categoria que vai revolucionar o consumo de mídias como vídeos, jornais e revistas.

3) O design passou a ser a nova fronteira de competição entre fabricantes?

O consumidor quer um computador que reflita sua personalidade e tem cobrado isso da indústria. O design é importante, mas o consumidor também considera outros atributos na compra, que incluem até o uso de embalagem sustentável.

4) São os fabricantes de computadores que terão a missão de entrar na oferta de conteúdo?

Aplicativos e novos programas que recheiem os aparelhos sempre estiveram na pauta, mas os fabricantes não precisam produzir esse conteúdo, eles podem ter parceiros. A questão é como fazer um casamento perfeito desse material com a venda dos PCs. Quem fizer isso estará no caminho certo.

5) Os netbooks sofreram muitas críticas no início por serem limitados. No entanto, revolucionaram a forma de vender PCs. O que eles ensinaram à indústria?

Os netbooks fixaram um novo patamar de preços para os notebooks, em torno de 300 dólares, e estabeleceram um ciclo mais curto de troca de PCs.

6) Os mercados emergentes têm demandado atenção especial para a indústria de computadores?

Os negócios evoluem tão rapidamente que já não faz mais sentido chamar os países de “emergentes”. Eles se diversificaram. Em São Paulo, por exemplo, é possível encontrar diferentes necessidades de um bairro para outro. É um desafio para os fabricantes atender a todas essas necessidades e ao mesmo tempo inovar.

7) Quais os maiores desafios para os fabricantes de PCs atualmente?

Uma das principais questões é tornar acessíveis para o consumidor-padrão os PCs com tela 3D. Esses aparelhos são uma tendência de mercado e já existem. O desafio é barateá-los em todas as regiões do mundo.