O brilho da nova geração de empreendedores brasileiros

No Brasil, uma nova geração de empreendedores digitais atrai investimentos milionários e explora o que está sendo chamado de revolução dos aplicativos

São Paulo — Tudo começou porque era preciso libertar o computador do teclado e do mouse. Foi assim que, na década passada, dois pesquisadores da empresa de tecnologia americana Apple retomaram pesquisas dos anos 60 sobre telas sensíveis ao toque. Pouco tempo depois, em 2007, a primeira versão do iPhone, a junção entre um celular e um microcomputador, foi lançada.

A maior das invenções de Steve Jobs tornou-se o produto eletrônico mais bem-sucedido e rentável que jamais existiu e não demorou para que as concorrentes seguissem pelo mesmo caminho. Não há registro de tecnologia que tenha se espalhado tão rapidamente. As linhas de telefonia fixa só atingiram 1 bilhão de usuários depois de 125 anos.

Os telefones celulares tradicionais chegaram à mesma marca após 11 anos. Os smartphones levaram apenas cinco anos. Hoje já são mais de 2,6 bilhões de unidades em todo o mundo. Essa é a origem da atual revolução dos aplicativos, os softwares para smartphones.

Na telinha dominada por apps, é possível acessar redes sociais, enviar mensagens, tirar fotos, jogar games, ler notícias, assistir a vídeos, escolher o melhor caminho no trânsito, fazer compras, realizar pagamentos no banco e fazer buscas por informações.

Uma pesquisa da consultoria BCG feita em seis países dá uma dimensão da importância que os apps conquistaram: 38% das pes­soas preferem ficar um ano sem sexo a ter de abrir mão de seu smartphone. No Brasil, a força desse fenômeno pode ser observada em todos os cantos. As pessoas estão vidradas nas telas em ruas, carros, trens do metrô, ônibus, escolas, shopping centers, supermercados e hospitais.

O país conta com 76 milhões de usuários de smartphone e a maioria até 20 apps em seu dispositivo. Em quatro anos, a previsão é que o número chegue a quase 100 milhões. Diferentemente do que acontecia até há alguns anos, os telefones inteligentes não são mais monopólio da classe A. Quase 80% do total de aparelhos em operação hoje pertencem a famílias das classes B e C.

Se há mercado, é claro que há quem o explore: uma nova geração de empreendedores brasileiros tenta, por aqui, replicar o exemplo dos ícones do Vale do Silício. Gente como o carioca Marco DeMello, presidente da startup PSafe. A empresa é a dona de um aplicativo antivírus para o sistema Android, usado em smartphones de Samsung, Motorola e LG, que já figura entre os dez apps mais populares do Brasil.

À sua frente estão gigantes como WhatsApp, Facebook, Instagram, YouTube e Candy Crush. Criada em 2011, a PSafe primeiro mirou o mercado brasileiro e agora começa a expandir sua atuação para outros países da América Latina, com planos de atingir os hispânicos nos Estados Unidos. No começo de novembro, abriu um escritório no México.

Outro em Miami deve ser inaugurado no ano que vem e a Colômbia também está no radar. “O objetivo é ser a maior empresa de aplicativos de antivírus nas línguas espanhola e portuguesa”, diz DeMello, fundador da PSafe. O perfil desse novo empreendedor é uma evolução em relação às gerações anteriores de empresários digitais brasileiros.

As primeiras empresas eram tocadas eminentemente por engenheiros de computação recém-formados, como no caso da maioria dos fundadores do comparador de preços Buscapé, uma referência da década de 90. Muitas delas esbarravam na falta de preparo em negócios. Hoje, grande parte dos presidentes de startups é formada em administração de empresas ou fez pós-graduação na área.

A mudança também é quantitativa. No passado, o único sonho dos jovens nas escolas de negócios era fazer uma longa carreira em uma multinacional ou empresa local. Agora é grande o grupo dos que pretendem abrir o próprio negócio.

“Histórias de sucesso, como a do americano Mark Zuckerberg, criador do Facebook, têm exercido um enorme poder de inspiração”, diz Ingrid Stoeckicht, coordenadora do MBA de gestão estratégica da inovação da Fundação Getulio Vargas.

Uma pesquisa feita a pedido de EXAME pela aceleradora StartupFarm e pela Universidade de São Paulo com 238 empreendedores de tecnologia de todo o país mostra que as pessoas à frente das startups em operação no Brasil estão mais experientes. Quase 90% dizem já ter trabalhado em empresas. Metade já teve pelo menos uma startup.

Dois motivos principais levaram eles — sim, 86% são homens — a empreender. O primeiro foi o desejo de realizar o sonho de ter uma empresa, indicado por metade dos entrevistados. Em segundo lugar, está o fato de ter enxergado uma oportunidade de negócio, opção indicada por 46% das respostas.

Um ponto confirmado por investidores é que a qualidade dos empreendedores brasileiros está crescendo de forma muito rápida. Quanto mais experiência eles têm, maior é a chance de sucesso. “O Brasil está cinco ou seis anos à frente dos outros países da região”, diz a americana Cate Ambrose, presidente da Associação Latino-Americana de Private Equity e Venture Capital.

Hoje é mais comum encontrar gente como o colombiano David Vélez, formado em engenharia financeira nos Estados Unidos e com passagens pela empresa de investimento General Atlantic e pelo fundo Sequoia Capital, do Vale do Silício. Em 2012, Vélez se mudou para o Brasil para avaliar a abertura de um escritório da Sequoia no país.

Como o plano não foi adiante, o colombiano deixou o fundo e decidiu montar a própria ­startup, a Nubank. A empresa é uma emissora de cartões de crédito que tem um modelo de negócios digital. Lançado há um ano, o serviço tem 250 000 clientes na fila de espera por uma avaliação de crédito para obter um cartão, de acordo com Vélez.

Um dos pontos que têm atraído os clientes é o aplicativo que permite acompanhar os gastos com mais facilidade do que uma conta-corrente de um banco. Por enquanto, o público-alvo são os jovens entre 18 e 24 anos. “Apesar de ser um público que consome menos e, por isso, é menos rentável, conseguimos reduzir muito os custos com nosso modelo digital”, afirma Vélez.

A Nubank já levantou 130 milhões de reais em investimentos — 90 milhões apenas neste ano. Na primeira década de internet no Brasil, o ­país produziu alguns casos de sucesso, como as empresas de varejo online Submarino, Americanas.com e Shoptime, hoje reunidas na B2W Digital, com valor de mercado de 3,8 bilhões de reais.

Mas o ambiente de negócios que imperou entre 1995 e meados da década passada era muito diferente do atual. O número de usuários de internet era pequeno, ­faltavam investidores dispostos a arriscar e não havia aceleradoras, empresas montadas para ajudar jovens a transformar uma ideia em um produto.

Tudo isso hoje é uma realidade. “O ecossistema que temos agora é muito mais favorável ao sucesso dos negócios”, afirma Anderson Thees, sócio do fundo Redpoint e.Ventures.

Não falta dinheiro

Em 2014, a economia brasileira andou de lado e neste ano deve sofrer uma retração de cerca de 3%. Ainda assim, não tem faltado recurso para investir em startups com sólidas operações comerciais. De janeiro de 2014 a outubro de 2015, os fundos de capital de risco em operação no Brasil aplicaram 1,8 bilhão de reais em 103 startups, o dobro do que tinha sido investido nos 22 meses anteriores.

Convertido em dólares pela cotação atual, o valor dos investimentos no Brasil coloca o país entre os dez mercados mais importantes, num patamar logo abaixo do da Suécia, sede do serviço de música Spotify. A rede de investidores-anjo — aqueles que focam o mercado das empresas em estágio inicial — também tem crescido.

A expectativa da Associação Anjos do Brasil é que cerca de 750 milhões de reais sejam investidos neste ano — um aumento de 68% em relação a 2011. Entre as startups mais maduras, nenhuma recebeu mais aportes nos primeiros dez meses deste ano do que a 99Taxis, empresa líder entre os aplicativos de táxi, revela um levantamento feito pela consultoria espanhola TTR a pedido de EXAME.

A 99Taxis captou 125 milhões de reais dos fundos Tiger Global Management, Qualcomm Ventures e Monashees Capital. A empresa está usando parte desses recursos para tornar o app mais conhecido — especialmente entre o público acima de 50 anos. Atualmente, oito times de futebol são patrocinados pela marca: Atlético Paranaense, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro e Sport.

Com a exposição maior, houve um salto no total de corridas mensais. O número saiu de 1,8 milhão, em maio, para 3,5 milhões, em outubro. O aporte dos investidores também permitiu que a empresa atacasse uma de suas maiores fraquezas. Quando os usuários pagam em dinheiro, o app não fica com nada. Somente as corridas pagas com cartão de crédito no aplicativo rendem uma taxa de 9% para a 99Taxis.

Com uma agressiva campanha de descontos, a startup conseguiu elevar o percentual das corridas pagas com cartão de crédito de 10% para 45%. A 99Taxis não divulga dados de faturamento, mas analistas de mercado estimam que a receita bruta mensal já esteja na faixa dos 3,5 milhões de reais.

“Nosso objetivo agora é melhorar o serviço dos taxistas que trabalham com o aplicativo”, diz o fundador Ariel Lambrecht, que, antes da 99Taxis, trabalhou quatro anos na operação do Google na Irlanda. Das cinco startups que mais receberam investimentos neste ano, quatro desenvolvem aplicativos. Além de 99Taxis, Nubank e PSafe, há ainda o serviço de motoboys Loggi.

A exceção é a loja online Beleza na Web (veja quadro na pág. 43). Olhando para a frente, a expectativa é que as coisas continuem melhorando. Segundo a Evans Data, empresa americana de pesquisa de tecnologia, o total de profissionais de desenvolvimento de software crescerá 23% até 2020 no país, criando uma força de trabalho de 597 000 pessoas.

O Brasil ultrapassará o Japão e assumirá a quinta posição no ranking mundial em número de desenvolvedores, atrás de Índia, Estados Unidos, China e Rússia.

“O uso da tecnologia vai continuar aumentando porque os negócios offline vão continuar migrando para o online”, diz o argentino Hernan Kazah, um dos fundadores do site de classificados Mercado Livre e hoje à frente do fundo Kaszek Ventures, um dos que mais investem no mercado brasileiro.

Do computador para o smartphone

Em algumas empresas tradicionais, a migração é do online para o online. Isso é claro no setor bancário. Em 2011, de todas as transações feitas por bancos em operação no Brasil, 1% acontecia por celular e 39% com o uso de computadores. No ano passado, o percentual de smartphones já estava em 12% e o de PCs estava estacionado em 41%.

No Itaú, maior banco privado do país, as transações com celular já chegam a 18% do total, quase o mesmo nível dos caixas eletrônicos. Atualmente, 6,4 milhões de clientes utilizam os aplicativos para fazer transações, número 40% maior do que o do ano passado.

“A conectividade está mudando a forma como as pessoas se relacionam umas com as outras e também com as organizações”, diz Ricardo Guerra, diretor executivo de canais de atendimento do Itaú. A situação é parecida no Bradesco, o segundo maior banco privado.

Em setembro, o número de clientes ativos nos canais mobile chegou a 7,1 milhões, mesmo número dos que usam o serviço de internet banking tradicional. “Para alguns tipos de transação, o celular já é o canal principal de muitos clientes. A tendência é que isso continue aumentando”, afirma Luca Cavalcanti, diretor de canais digitais do Bradesco.

O montante movimentado em transações pelo celular no banco saltou quase oito vezes em apenas dois anos. Passou de 1,5 bilhão de reais, em 2012, para 11,2 bilhões, no ano passado. As empresas de comércio eletrônico também têm sentido o efeito da maior utilização dos smart­phones.

A E-bit, consultoria do setor, estima que até o fim do ano as compras por meio do celular já representem 15% do total do e-commerce. Em 2011, elas eram 0,8%. Na B2W Digital, a líder com 26% do mercado, quase 35% do tráfego em suas lojas vem de plataformas móveis. O crescimento foi de 15 pontos percentuais em um ano.

Para o Walmart.com, um dos maiores varejistas online, o comportamento do consumidor nos aplicativos é diferente do que no computador. “Os clientes usam os apps principalmente para as compras em cima da hora e para produtos que não exigem tanta pesquisa, como produtos infantis”, diz Paulo Sérgio Silva, presidente do Walmart.com.

A Netshoes, varejista online com a maior audiência, já recebe quase metade das visitas em seu site por meio do celular, e a expectativa é que elas cheguem a 80% em cinco anos. As vendas por mobile representam um quinto da receita e a tendência é de alta. O impacto dos smart­phones, no entanto, é maior do que os números do faturamento mostram.

Os celulares têm uma participação importante no processo de compra mesmo quando ela é finalizada no computador. “Hoje o cliente busca um produto no celular e depois entra no site pelo computador ou tablet e faz a compra”, afirma Fernando Zanatta, diretor de produto do Grupo Netshoes. Em 2015, a empresa dobrou a equipe responsável pelos canais móveis para 70 pessoas.

Na loja online espanhola Privalia, especializada no setor de moda e assessórios, as vendas por aplicativos e tablets já representam a maior parte do negócio — cerca de 60% do faturamento no Brasil. Um dos fatores que explicam essa fatia é o modelo de negócios da loja. A Privalia vende estoques limitados de roupas a um preço promocional e os clientes têm pouco tempo para decidir se querem ou não o produto.

Quando os alertas com as promoções chegam por mensagem, muitos fecham a compra já no celular. A empresa aumentou em 50% o investimento na equipe de desenvolvimento para plataformas móveis em 2015. “Se tivéssemos começado há dois anos, tería­mos lançado apenas um aplicativo”, diz Fábio Bonfá, diretor-geral da Privalia no Brasil.

Mesmo nas varejistas tradicionais, como o Magazine Luiza, a economia dos aplicativos está mudando a gestão. Frederico Trajano, atual vice-presidente que deverá assumir o comando da empresa em janeiro, percebeu que aumentar o setor de TI não era a forma mais eficiente de produzir inovações. Por isso, fundou o Luizalabs em 2012 num prédio a menos de 1 quilômetro de sua sede em São Paulo.

É lá que um grupo de 75 desenvolvedores trabalha como se estivesse numa startup. O impulso para a criação do projeto veio após uma frustração. Trajano teve, em 2009, a ideia de fazer um e-commerce social em que o usuário criaria uma loja virtual e venderia produtos a seus amigos em troca de uma comissão.

Mesmo tendo partido de um alto executivo, o projeto ficou dois anos na fila de espera até ser uma equipe ser destacada para tocá-lo. Batizado de Magazinevocê, o projeto entrou no ar poucos meses depois. “A estrutura tradicional acaba travando o fluxo de ideias, que perdem valor se não forem executadas rapidamente.

A solução foi montar um lab independente”, afirma Trajano. No Luizalabs, até o processo de contratação é diferente. Muitos dos desenvolvedores são autodidatas e nunca seriam selecionados em um processo normal para trainees. No final de outubro, o ­Luizalabs lançou um novo aplicativo que, em poucos dias, alcançou 1 milhão de downloads.

O exemplo do Magazine Luiza é exatamente o que é defendido pela consultoria de tecnologia Gartner. “O desafio das empresas no mundo digital é repensar a experiência e o relacionamento com o cliente. E uma estrutura mais ágil privilegia decisões rápidas e uma cultura mais próxima do consumidor”, diz Luis Claudio Mangi, vice-presidente de pesquisa do Gartner no Brasil.

E a economia?

Comprar um produto pelo aplicativo sem precisar ir até a loja, escolher um caminho mais rápido por meio do app de navegação por GPS, deixar de procurar um táxi na rua para chamá-lo no smartphone, falar com uma pessoa que está em outro país pela internet… A cada dia que passa cresce o número de exemplos de atividades que ficam mais fáceis com o uso de smartphones.

Os economistas, porém, não conseguem chegar a um acordo sobre se a economia da internet, potencializada pela popularização dos telefones inteligentes, aumenta ou não a produtividade dos países. De forma simplificada, eles podem ser divididos em dois campos.

Os céticos dizem que invenções do passado, como o motor a combustão, tiveram um impacto muito maior no aumento da produtividade do que o avanço digital dos últimos anos. Citam como exemplo o fato de que nos Estados Unidos, país que melhor representa a revolução dos apps, o crescimento da produtividade tem sido mais lento nas últimas quatro décadas do que foi de 1870 a 1970.

O principal expoente desse grupo é Robert Gordon, respeitado professor de economia na Northwestern University. Do outro lado da trincheira, ficam os economistas que dizem que o problema é a maneira como o impacto digital na economia está sendo medido.

“Os smartphones e seus apps já trouxeram uma melhoria significativa na produtividade global, embora ainda não apareça de forma clara nas estatísticas de crescimento.

A metodologia que usamos é boa para medir coisas tangíveis, como contar carros, mas não para valores intangíveis, como a conectividade e o valor das redes sociais”, diz Kenneth Rogoff, professor de economia na Universidade Harvard e ex-economista-chefe do FMI.

Para Erik Brynjolfsson, diretor do centro de pesquisa Iniciativa Sobre a Economia Digital, do Massachusetts Institute of Technology, uma das melhores universidades americanas, é difícil fazer um modelo matemático que meça a conveniência e o tempo economizado.

“Alguns impactos demoram a se tornar visíveis”, diz Brynjolfsson, um dos autores de A Segunda Era das Máquinas, um dos livros sobre inovação mais comentados dos últimos tempos. Embora os efeitos agregados na economia sejam ainda motivo de discórdia, não faltam exemplos específicos dos ganhos promovidos pela onda digital.

A companhia aérea Gol não tem a menor dúvida sobre a importância dos últimos investimentos na área de tecnologia. Quem baixa o app da Gol tem a opção de autorizar uma conexão com o aplicativo de navegação GPS Waze. Ao fazer o check-in pelo smartphone, o passageiro recebe um alerta com uma estimativa do melhor horário para sair de casa.

O app da Gol também serve de substituto do bilhete de embarque. Em 2015, a empresa deverá economizar 20 000 bobinas de papel. “Com iniciativas como essa, conseguimos diminuir o custo de TI de 3% para 1,4% do faturamento nos últimos três anos”, diz Paulo Palaia, diretor de tecnologia da informação da Gol.

Isso sem falar que o uso do aplicativo reduz o tempo médio de espera no embarque e no balcão de atendimento. Quando combinado ao uso de totens digitais, 55% dos passageiros não necessitam mais de atendimento de funcionários da empresa. Uma pesquisa recente feita pela consultoria americana Boston Consulting Group mostra que a revolução digital também é benéfica para pequenas e médias empresas.

Depois de ouvir 3 500 companhias dos Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul, Brasil, China e Índia, a BCG concluiu que as firmas que adotaram três ou mais aplicativos em setores como marketing, vendas ou operações registraram aumento de receita entre 2012 e 2014 (veja quadro na pág. 48). As empresas com o maior número de apps também criaram mais postos de trabalho.

“A tecnologia dos aplicativos é mais acessível, e isso é valioso para as pequenas e médias empresas”, afirma Darrel West, economista do Brookings Institute, um centro de pesquisa com sede em Washington.

De acordo com uma pesquisa global feita pela consultoria britânica PwC com 222 presidentes de grandes companhias, 66% deles acham que a conectividade ajudou diretamente no crescimento da receita e 83% dizem que seus empregados estão mais produtivos.

Para os presidentes, as áreas mais beneficiadas pelo “mundo sempre conectado” foram o marketing, a tecnologia da informação e o relacionamento com o cliente. Cerca de 80% acreditam que eles próprios estão mais ligados ao negócio, mas isso, dizem, nem sempre é totalmente benéfico.

Quarenta por cento dos presidentes avaliam que agora têm menos tempo para pensar sozinhos sobre a empresa e 75% acreditam que têm menos tempo para encontrar seus funcionários pessoalmente. É verdade que o aumento da conectividade e a maior influência dos aplicativos também podem ser uma enorme perda de tempo — ou até colocar os usuários em perigo.

Os vários grupos de conversa em apps de comunicação muitas vezes tiram a atenção em horário de trabalho. No primeiro semestre deste ano, o número de multas na cidade de São Paulo pelo uso do celular por motoristas no trânsito aumentou 20% em relação ao ano passado — não há uma estatística para acidentes.

Apesar desses contratempos, as vendas de smartphones e o vício na telinha não param de crescer. Por sinal, uma pergunta antes do fim: quantas vezes você olhou no celular antes de acabar a leitura desta reportagem?