Acompanhei por várias décadas o trabalho de Amador Aguiar. Estava começando minha carreira quando ele foi chamado para ajudar a transformar uma casa bancária de Marília, no interior de São Paulo, num banco. Ele tinha capacidade e charme especiais. Seu poder e sua determinação eram enormes. Eu tinha 16 anos quando começamos a trabalhar juntos. Seu comportamento sempre foi espartano e disciplinado. E exigia que as pessoas que estivessem a sua volta agissem da mesma maneira. Ele prezava a disciplina, era obstinado no cumprimento de regras, no método de trabalho. Achava que o trabalho era o fundamento para qualquer tipo de aspiração. Na fachada de nossa sede, na Cidade de Deus, pode-se ler a frase "Só o trabalho pode produzir riqueza". Era esse seu lema. E ele o deixou gravado. Amador Aguiar nunca quis nenhum tipo de conforto. Fazia refeições simples. Não tinha vícios. Não fumava e não bebia. E era um esportista disciplinado. Gostava muito de nadar.
Sua jornada era longa: nunca menos de 10 ou 12 horas. Era comum vê-lo correr agências recém-inauguradas nos fins de semana. Amador Aguiar assumiu o Bradesco no seu nascedouro, em Marília. Tinha 39 anos. Uma de suas primeiras providências foi transferir a sede para São Paulo. Após dez anos de existência do banco, em 1953, a Cidade de Deus foi inaugurada. Foi uma ousadia. A região não tinha quase nada. Mas Amador Aguiar era um provocador e trabalhou para que tudo isso fosse superado. Ele sempre dizia que o Bradesco tinha que ser o primeiro, o maior banco do país. No começo, isso parecia apenas uma forma de motivar o pessoal. Tínhamos concorrentes fortes, muito maiores que nós. Mas ele sempre trabalhou para que isso realmente acontecesse. Nunca tirou essa idéia de nossas cabeças e não descansou enquanto seu objetivo não foi alcançado. Amador Aguiar morreu em 1991, e sua obra continua cultuada na Cidade de Deus.