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Saúde | 22/11/2013 05:55

23 médicos têm o destino do Fleury nas mãos. Por que vender?

Um grupo de médicos, entre eles professores universitários, tem o destino do mais conceituado laboratório do país, o Fleury, nas mãos - por que eles decidiram vender agora?

Germano Lüders/EXAME

Laboratório do Fleury

Laboratório do Fleury: clientela de alta renda

São Paulo - Os vestibulares da universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estão entre os mais concorridos do país, especialmente para o curso de medicina. Em 2012, havia 115 estudantes fazendo as provas para tentar conseguir cada vaga disponível. É comum que ex-alunos virem professores, mais pelo prestígio do que pelo dinheiro.

O salário médio de quem fez concurso para trabalhar em período integral na escola de medicina é de 5 500 reais. Se fosse disciplinado e poupasse um terço da renda, um professor desses levaria uns 25 anos para se tornar milionário. Mas um grupo muito particular de professores da Unifesp tem vida bem diferente.

Seis deles são sócios do Fleury, o mais conceituado laboratório de análises clínicas do país. Como sócios, recebem dividendos periodicamente, um valor que ficou em torno de 49 000 reais por mês nos últimos quatro anos. Só que, agora, essa turma está querendo ganhar dinheiro para valer.

Os donos do Fleury (23 médicos e uma administradora de empresas) contrataram o banco JP Morgan para achar um interessado em comprar a parte deles na empresa, conforme EXAME­ antecipou há um mês. Pelo valor de mercado atual do Fleury, a fatia deles corresponde a 1,2 bilhão de reais — o que, numa conta simples, dá quase 50 milhões de reais para cada um (eles receberiam valores diferentes, porque suas participações variam). 

O processo foi iniciado em outubro, quando o banco JP Morgan procurou potenciais interessados em fazer uma oferta pelo Fleury. Fundos de private equity, como Carlyle e KKR, estão analisando os números para fazer uma proposta. O Bradesco, dono de 16% do capital da empresa, é outro candidato, já que tem o direito de preferência na compra das ações.

Além disso, os laboratórios americanos Quest Diagnostics, que contratou o banco Morgan Stanley para procurar empresas para comprar no Brasil, e o LabCorp foram procurados (os bancos, os fundos e as empresas americanas não comentaram). 

O Fleury foi fundado em 1926 por um médico paulistano e, durante quase 40 anos, sua operação se resumiu a um laboratório em São Paulo. A expansão começou na década de 70 e ganhou força nos últimos dez anos, quando o Fleury comprou 27 marcas em cinco estados.

Hoje, o grupo fatura 1,6 bilhão de reais e vale, na bolsa, 3 bilhões de reais. Com o passar dos anos, o Fleury foi adotando um mecanismo peculiar para remunerar seus funcionários e absorver os donos das empresas compradas — à medida que crescia, dava aos médicos uma participação na Core, holding que, junto com o Bradesco, controla o laboratório.

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