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Turismo | 16/10/2013 08:00

O grupo Águia já se deu bem na Copa do Mundo de 2014

Operador de turismo da CBF, o discreto Wagner Abrahão vende ingressos para Copas do Mundo há 30 anos. Mas desta vez é no Brasil — e ele vai faturar mais de 350 milhões de reais

Divulgação/ Consórcio Maracanã 2014

Maracanã lotado para a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha, em 30/06/2013

Jogo no Maracanã: ingressos corporativos incluem champanhe no camarote 

São Paulo - Os 64 jogos da copa do Mundo de 2014 terão um faturamento calculado em 8,3 bilhões de reais. Esse dinheiro será distribuído por dezenas de empresas. Mas, no Brasil, ninguém vai se dar tão bem na Copa quanto o discreto empresário da foto acima, o paulistano Wagner Abrahão, dono do grupo de empresas de turismo Águia.

Ele é o agente de viagens oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) há mais de 30 anos. Abrahão é responsável por toda logística envolvida num jogo do Campeonato Brasileiro. Ele compra as passagens do clube visitante, reserva o hotel e freta o ônibus que leva o time ao estádio.

Tudo isso dá um bom dinheiro, mas é na Copa que ele vai ganhar a fortuna de sua vida. Sua empresa vende, no Brasil, os ingressos corporativos para os jogos da Copa. Quem compra esse tipo de ingresso leva junto um pacote que inclui um lugar privilegiado no estádio, refeições e champanhe no camarote. Só com ingressos, o empresário vai faturar cerca de 350 milhões de reais.

Abrahão está nesse mercado desde a Copa da Espanha, em 1982. Mas, como desta vez o evento acontecerá por aqui, o dinheiro envolvido se multiplicará. Em sociedade com a empresa de marketing esportivo Traffic, o Grupo Águia comprou, por 40 milhões de dólares, da suíça Match Hospitality, os direitos de ser o vendedor exclusivo no Brasil dos ingressos corporativos, ou vips, para os jogos da Copa.

No Brasil, a estimativa é vender 130 000 desses ingressos, ao preço médio de 4 750 reais por pessoa. No exterior, outros 170 000 serão comercializados. A Match, que tem entre seus sócios uma empresa presidida por Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi credenciada para cuidar dessas vendas globalmente e repassa a atividade para 88 representantes regionais espalhados pelo mundo. Por aqui, mais de 60% dos ingressos já foram vendidos. 

Tanto ou mais do que com a comercia­li­zação de ingressos, as empresas de Abrahão vão lucrar com outros serviços turísticos. Os torcedores vip terão sua rotina fora do horário de jogos orientada pelo Grupo Águia, que já reservou, por exemplo, 25 000 lugares em restaurantes e 3 500 ônibus e vans para transportá-los. O Águia recebe comissão por intermediar cada um desses negócios. 

Abrahão tem portas abertas na CBF há 30 anos. O empresário nasceu no bairro do Tatuapé, em São Paulo, mas construiu seus negócios no Rio de Janeiro. Seu primeiro trabalho foi como representante da agência Stella Barros no mercado carioca — hoje é dono da agência. Aproximou-se dos cartolas oferecendo serviços de operador turístico.

Na época, era comum o cancelamento de jogos porque os times visitantes não apareciam a tempo nos estádios. Ele ganhou o contrato e o problema acabou.

Abrahão é amigo de Ricardo Teixeira, o cartola que deixou a presidência da CBF e se mudou para Miami, acusado de ser sócio de uma empresa que fazia negócios com a entidade. Em outubro, quando Teixeira esteve no Brasil para fazer exames médicos, Abrahão foi recepcioná-lo no Aeroporto Santos Dumont, de onde os dois saíram juntos em um helicóptero. 

Na carrei­ra, Abrahão teve seus percalços. Recentemente, foi convidado pelo ex-jogador e hoje deputado federal Romário para comparecer à Câmara dos Deputados e explicar sua relação com a CBF. Abrahão não estava sendo acusado de nada — mas preferiu não comparecer.

Em 1998, na Copa da França, sua empresa foi acusada de lesar torcedores que compraram ingressos mas ficaram fora do estádio na final. Ele foi processa­do e pagou uma multa para deixar a França. O processo foi arquiva­do. “Temos muita experiência com Copas do Mundo.

Se erramos antes, não pretendemos errar outra vez ou, pelo menos, não vamos errar igual”, disse Abrahão a EXAME. Em 1998, ele tinha vendido 3 600 ingressos. Desta vez, o destino de 130 000 torcedores estará em suas mãos.

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