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Pecuária | 28/03/2013 05:55

Picanha sem queimada na Walmart

Para não ver seu nome associado ao desmatamento na Amazônia, o Walmart decide monitorar as fazendas que abastecem os frigoríficos de quem compra carne

Paulo Jares/Veja

Balsa transportando gado, na Amazônia

Pecuária na Amazônia: a atividade é considerada a vilã do desmatamento

São Paulo - O ano de 2009 não suscita boas lembranças aos frigoríficos brasileiros que mantêm operações na Amazônia. Foi nessa data que eles se viram sob a mira de duas instituições com potencial para transformar a vida de qualquer empresa num inferno: o Ministério Público e a ONG Greenpeace.

A acusação de ambos era que os frigoríficos estavam envolvidos com o desmatamento da região ao comprar carne de milhares de pecua­ristas que desrespeitam a legislação am­biental. As denúncias também mancharam a imagem dos varejistas, entre eles os três maiores do país: Walmart, Carre­four e Pão de Açúcar. Afinal, eles tinham esses frigoríficos como importantes fornecedores de carne e, segundo o Green­peace, eram “parceiros silenciosos do crime”.

Na época, todos os envolvidos declararam que se mexeriam para resol­ver o problema. Parte dos grandes frigoríficos criou políticas para monitorar a ação dos pecuaristas de quem compra. Já os varejistas, por meio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apresentaram no final de 2009 um programa ambicioso de controle de origem da carne. Ele incluía severas exigências para os frigoríficos.

Na prática, porém, passados quase quatro anos, pouco avançou. A boa notícia é que pelo menos um dos projetos lançados com base nas denúncias saiu do papel. Ao ver que o sistema imaginado pela Abras emperrava, o Walmart decidiu criar o próprio programa. A empresa começa agora a divulgar as medidas adotadas para reduzir o risco de que sua marca volte a ser associada ao desmatamento.

O passo mais audacioso dado pelo varejista é que ele tem agora um sistema de tecnologia que lhe permite calcular o “risco socioambiental” de cada uma das fazendas que abastecem seus supermercados. Até 2015, todo o fornecimento de carne poderá ser rastreado.

Funciona da seguinte forma: feito um pedido de carne pelo software, os frigoríficos informam ao varejista dados da propriedade que irá suprir aquela demanda.

O sistema cruza essas informações com imagens de satélite e dados oficiais do governo. Após o cruzamento, o programa qualifica o pecuarista com base em critérios: a propriedade não pode estar localizada em área indígena, protegida, embargada pelo Ibama ou que tenha sido desmatada após outubro de 2009.

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