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Petróleo | 06/02/2013 05:55

A Lupatech será a próxima vítima do pré-sal?

Maior fornecedora nacional da Petrobras, a Lupatech tenta captar 800 milhões de reais, quase o triplo de seu valor de mercado, para pagar as contas

Germano Lüders/EXAME.com

Fábrica da Lupatech, em Nova odessa

Fábrica da Lupatech, em Nova odessa: pressa para achar um novo investidor

São Paulo - A gaúcha Lupatech, fornecedora de  equipamentos e serviços para plataformas da Petrobras, é uma espécie de símbolo do sobe e desce recente da indústria nacional de petróleo. Cinco anos atrás, quando o país estava fascinado com a promessa do recém-anunciado pré-sal, a Lupatech chegou a valer 3 bilhões de reais na Bovespa.

Parecia aquele tipo de investimento que não tinha como dar errado. A empresa era a maior fornecedora nacional da Petrobras — como a estatal desenvolveria dezenas de novas plataformas para explorar o pré-sal, a Lupatech teria sucesso garantido. Mas, como hoje se sabe, o pré-sal começou a fazer água, a Petrobras entrou em crise e, já que era o elo mais fraco dessa cadeia toda, a Lupatech se deu mal. Muito mal.

A companhia não dá lucro desde setembro de 2010, sua dívida cresceu 40% e a empresa vale hoje 300 milhões de reais. Mas, segundo EXAME apurou, as coisas estão prestes a piorar para a Lupatech: o dinheiro para pagar fornecedores e funcionários está acabando. Seus controladores, o BNDES e o fundo de pensão Petros, correm para bolar uma saída para salvar a empresa até março. O primeiro passo aconteceu em dezembro do ano passado, com a contratação do Bank of America Merrill Lynch.

A missão do banco é levantar 800 milhões de reais — quase o triplo do valor de mercado atual da companhia. Uma parte viria da venda de duas fábricas, voltadas para a produção de válvulas. Outra frente é a renegociação da dívida com os principais credores, os bancos Votorantim e Itaú BBA, e um corte de até 40% no valor dos juros pagos pelos seus títulos de dívida negociados no mercado.

Por fim, o plano prevê a chegada de um novo investidor. Empresas como Odebrecht Óleo e Gás, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão teriam sido procuradas. O Bank of America, o BNDES, a Petros e a Lupatech não comentaram as informações.

A situação da Lupatech nunca foi tão crítica. Segundo executivos próximos à operação, a companhia encerrou 2012 com 30 milhões de reais em caixa. Com o pagamento dos juros de títulos da dívida programado para janeiro, estima-se que essas reservas tenham caído pela metade.

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